quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
A Amazônia continua ameaçada,
sobretudo por pastagens para a criação de gado
Na década de 70, o governo militar ofereceu
incentivos fiscais para os investidores brasileiros e internacionais
‘desbravarem’ a Amazônia. Os empresários começaram a comprar terras que eram
antigos seringais com o intuito transformar a floresta em ‘novas frentes de
negócios’, sobretudo pastagens para a criação de gado.
A reportagem é de Germano Assad e Luana Lila,
publicada pelo portal do Greenpeace, 06-01-2014.
Mas, diferente do que se imaginava em outras
regiões do país, que tinham a ideia de que na Amazônia havia um enorme vazio
demográfico, eram milhares de famílias de seringueiros e povos indígenas
ocupando aquelas terras. Foi assim que começaram os conflitos com a expulsão de
índios, ribeirinhos e seringueiros pelos novos “proprietários”.
Pessoas que nasceram naquelas terras de repente
recebiam a notícia de que seriam obrigados a se retirar. Muitos foram enfrentar
um destino de pobreza extrema e desemprego na periferia das grandes capitais do
Norte. Outros perderam a economia de uma vida, enganados por grileiros. Os que
resistiam eram pressionados por pistoleiros, ameaçados de morte por jagunços e
muitas vezes tinham suas casas queimadas.
Foi nesse contexto que os seringueiros se
organizaram nos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais, apoiados pela Igreja, que
criou as Comunidades Eclesiais de Base com a missão de conscientizá-los sobre
seus direitos e formar líderes que pudessem atuar nas comunidades. O
jornalista, escritor e documentarista Edilson Martins conhece bem essa
história.
“Antes de conhecer o Chico eu conheci o Pinheiro,
que foi presidente do sindicato antes, e foi assassinado nas mesmas condições
que ele. O Pinheiro é o cara que começa a organizar a resistência em um momento
que o governo militar decide substituir o ciclo mono-extrativista que dominava
a Amazônia pelos grandes projetos agropecuários, madeireiros, de mineração,
rodovias patrocinadas pelo banco mundial, transamazônica, ainda no final dos
anos 60”, lembra.
O novo modelo, dominado pelo capital da
indústria, das grandes fazendas e latifundiários se chocaria, mais para frente,
com a figura do seringueiro, do ponto de vista territorial.
Mobilização e confronto pacífico pela
resistência
O sindicato de Brasileia surgiu em dezembro de
1975, com a ascensão de Wilson Pinheiro como liderança. Wilsão, como era
chamado pelos amigos, foi quem idealizou a forma de embate pacífico tão
inspiradora até hoje, junto com Chico.
Ambos estavam frustrados depois de inúmeras
denúncias feitas aos órgãos competentes à época, de invasão de terras,
violência e agressão à floresta por parte de fazendeiros e pecuaristas, que
terminavam sempre sem resposta.
Cansados, pensaram os empates, que tinham por
objetivo impedir a derrubada da mata e outras formas de violência contra os
seringueiros, como alternativa efetiva às denúncias feitas em vão.
Vinham trabalhadores da região de influência da
BR-317 caminhando até o lugar onde os peões estavam prontos para realizar o
desmate. Surgiam, de repente, centenas de homens, mulheres e crianças para
formar uma corrente humana em frente a área a ser devastada. Do outro lado,
muitos do que estavam prestes a desmatar eram os seringueiros que foram
cooptados pelos novos donos da terra. Eles não tinham coragem de passar por
cima de seus pares. Ali, no interior da floresta, homens e mulheres travavam um
embate entre pobres, a serviço dos ricos.
Em pouco tempo eram oito sindicatos na região,
com 25 mil associados. A luta era desigual pois os fazendeiros tinham o apoio
do Estado, representado por policiais, advogados, juízes e políticos. Para a
antropóloga Mary Alegretti, que viveu esse momento de mobilização, a partir da
década de 80, a capacidade de articulação de Chico Mendes vinha da legitimidade
que eles passava.
“Eu entendi qual era o sentido da luta dele
porque eu tinha visto o que era o seringal, o patrão, o seringueiro eternamente
endividado, eu tinha estudado essa situação. Então quando ele falava do
seringueiro liberto, do empate, da necessidade da educação, eu tinha uma
profunda empatia, porque eu tinha percebido exatamente, sabia o que ele estava
falando. E acho que ele percebeu isso, por isso a gente tinha muita
cumplicidade”, conta.
A manada passa e a soja fica
De lá pra cá, apesar dos esforços das lideranças
locais, a pecuária acabou se instalando na Amazônia e se tornou o maior driver
de desmatamento da região.
Segundo dados do Imazon, entre 1990 e 2003, o
rebanho bovino da Amazônia Legal cresceu 140% e passou de 26,6 milhões para 64
milhões de cabeças. Na esteira da pecuária, a Amazônia foi tomada por outras
commodities, como a soja, que foram expandindo a fronteira do desmatamento na
Amazônia.
Um estudo publicado nesta semana pelo Instituto
de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) demonstrou a relação entre violência e
desmatamento. De acordo com ele, municípios localizados em áreas de
desmatamento da Amazônia sofrem mais com a violência do que outras cidades
similares.
Segundo a pesquisa, a média da taxa de homicídios
nos 46 municípios que mais desmatavam em 2010 era 48,8 por 100 mil habitantes
naquele ano. Quase o dobro da observada nos outros 5.331 municípios pequenos e
médios do país (27,1 por 100 mil habitantes).
O modelo de desenvolvimento que motivou a luta de
Chico Mendes ainda é o mesmo, baseado em levar grandes projetos para a Amazônia
sem compreendê-la e sem se preocupar com as pessoas que vivem lá.
Daí as situações se repetirem ainda hoje. A
Amazônia 25 anos depois de Chico ainda sofre com a falta de governança e a
impunidade.
“Até hoje, a ideia hegemônica sobre a Amazônia é
que ela tem que se integrar a qualquer custo ao Brasil, quando na verdade é o
Brasil que deveria se integrar a ela, reconhecendo que é dono de grande parte
da maior floresta tropical do mundo e que deve estabelecer um modelo econômico
diferenciado, respeitando os povos que vivem nela. Mas o que se vê é o governo
entregando essa riqueza para a exploração desenfreada, numa lógica em que a
floresta é vista como um empecilho para o desenvolvimento. Isso começou na
época do Chico Mendes e permanece atual, sendo um dos grandes incentivadores da
violência no campo”, afirma Danicley de Aguiar, da Campanha Amazônia do
Greenpeace.
Fonte: EcoDebate
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1/09/2014 06:56:00 AM
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A armadilha do PET, artigo de
Norbert Suchanek
Foi na última semana, quando uma amiga me enviou
uma foto de seu quintal de permacultura, e com orgulho ela escreveu: “Olha
estou reciclando garrafas de PET, utilizando no viveiro para as minhas
plantinhas.” A minha amiga se acha ecologicamente correta e consciente, mas sem
querer ela entrou na armadilha da grande indústria do plástico e do petróleo.
Por anos, incontáveis de workshop de reciclagem
ensinaram aos brasileiros, criancinhas, adultos, idosos, donas de casa,
comunidades carentes e povos indígenas, a maravilha de “reciclar” garrafas PET.
As garrafas de PET usadas passam então a servirem para várias coisas. Vasos
para plantas, brinquedos, bijuterias, árvores de Natal, móveis ou qualquer
coisa inimaginável. Paralelo a isso, foi criado um mercado de roupas com malha
PET, identificada como ecologicamente correta. Camisas caríssimas porque salvam
o Planeta, diz a propaganda.
Uma mentira que só virou verdade nesta sociedade
do século 21, porque foram repetidas milhares vezes. A realidade é essa: O uso
de uma garrafa PET velha no seu quintal ou em forma de roupa, ou como um
“telhado verde”, não é reciclagem e nem preserva o meio ambiente. Reciclagem é
quando uma garrafa PET velha vira uma garrafa PET nova, como é feito com as
garrafas de vidro. Só assim o uso da matéria prima, o petróleo, e o gasto de
energia estarão reduzidos. Mas o que acontece com a PET, na realidade, é o
contrário disso. A garrafa PET na prática mundial não vira uma nova garrafa
PET. A garrafa velha vira um outro produto, um processo que internacionalmente
recebeu o nome “Downcycling”.
Ao contrário do vidro, a PET não pode ser
reutilizada na linha de produção original e o seu processo de reciclagem de
verdade é ainda caro e complicado. Por isso a indústria de embalagens prefere
utilizar matéria prima para seus produtos e inventou a propaganda da
PET-Recicling.
Novos mercados para o lixo de PET foram criados
que de fato estão estimulando a produção de novas garrafas PET à base da
matéria prima petróleo. Por exemplo, o novo mercado de Eco-Camisas, Eco-Bolsas
ou Eco-mochilas de PET, precisa de produção de novas garrafas de PET à base da
matéria prima. E isto é um ato contra a sustentabilidade, contra o meu ambiente
e contra a nossa própria saúde.
Pior: ao contrário das fadas da propaganda da
indústria química, a produção de PET nem é fácil ou limpa. Além do uso de
petróleo, também várias substâncias tóxicas são necessárias ou são criadas durante
o processo. Por exemplo, a indústria está usando trióxido de antimônio no
processo de fazer PET. Mas antimônio é um metal pesado venenoso e pode criar
câncer. “A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) classifica o
trióxido de antimônio no Grupo 2B – possivelmente carcinogênico para o ser
humano.”
A substância orgânica Bisfenol-A
(BPA) é um outro grande vilão na produção de garrafas de plástico
e de outras embalagens. Esta substância de fórmula (CH3)2C(C6H4OH)2 é um
estrogênio sintético e pode causar câncer e infertilidade. Já foi provado há
anos que o Bisfenol-A pode contaminar os líquidos dentro das garrafas de PET ou
de outros plásticos.
Quem compra garrafas de PET e as usam no seu
quintal como um viveiro ou quem cria um sofá de PET ou bijuterias, também está
responsável pela continuidade do uso do petróleo, pela mineração de antimônio e
seus efeitos danificadores e pela contaminação do meio ambiente com substâncias
tóxicas e cancerígenas.
O mundo não precisa de garrafas, camisas ou
viveiros de PET. Vidro é o melhor material para guardar qualquer bebida,
inclusive a água. As garrafas de vidro podem ser reutilizadas centenas de
vezes. E o material de vidro pode ser reciclado sem fim. O próprio vidro é a
melhor matéria prima para fazer vidro.
Norbert
Suchanek, Correspondente e Jornalista de Ciência e Ecologia, é colaborador
internacional do EcoDebate.
Fonte: EcoDebate
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1/09/2014 06:53:00 AM
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quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
Agora a usina nuclear será em
Piranhas, Alagoas? A insensatez continua. Artigo de Heitor Scalambrini Costa
A construção de usinas nucleares no país significa a disposição do poder
público de aceitar mais riscos do que recomendaria a prudência.
A formulação de políticas públicas, em particular
na área energética, tem sido calcada em diagnósticos superficiais e
imediatistas, influenciados por interesses econômicos poderosos, com clara
reincidência em erros cometidos no passado. Na verdade o governo pensa o Brasil
do futuro com ideias do passado.
Hoje no chamado mundo moderno, se discute e
executa uma completa mudança de direção no que concerne à questão nuclear. Mais
e mais países decidiram refrear e mesmo abandonar a construção de novas usinas
nucleares. Decisões essas tomadas com largo apoio popular. A óbvia conclusão é
que o risco de tal tecnologia não compensa os ganhos (se é que existem!!!).
Aqui no Brasil tudo é diferente. Projeta-se até
2030 a instalação de quatro novas usinas nucleares sendo duas no Nordeste.
Falou-se na cidade de Itacuruba no sertão pernambucano (480 km de Recife) como
provável local para esta instalação a beira do Rio São Francisco. Houve uma
total repulsa a esta proposta. As populações, os movimentos populares,
sindicais e religiosos, se expressaram no documento “Carta de Itacuruba” (http://blogs.diariodepernambuco.com.br/meioambiente),
subscrito por mais de 50 entidades.
Agora no final do ano toda atenção é dirigida ao
município de Piranhas (291 km de Maceió) no sertão oeste alagoano, em função da
declaração pública do chefe do escritório da Eletrobrás/Eletronuclear de
Recife, apontando o município como o provável destino para a instalação da
usina nuclear nordestina, as margens do Rio São Francisco.
Com esta informação um inquérito civil foi
instaurado pelo Ministério Público Federal (MPF) em Arapiraca/Alagoas para
investigar o processo de instalação da usina nuclear. O MPF enviou ofício a
Eletrobrás/Eletronuclear solicitando informações sobre o andamento do projeto,
e detalhes, como a localização exata das duas usinas nucleares anunciadas pelo
Governo Federal a serem instaladas no Nordeste, bem como a data prevista para o
início da construção. Ainda foi solicitado o esclarecimento de que forma as
populações afetadas foram consultadas sobre a implantação da usina, como exige
a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
De acordo com a procuradora da República em
Arapiraca, responsável pela instauração do inquérito, a instalação de uma usina
nuclear no Sertão de Alagoas é passível de afetar diversas populações
tradicionais locais, como ribeirinhos, quilombolas, indígenas e pescadores
artesanais. Motivo pelo qual o MPF instaurou o inquérito, de forma a reunir
informações sobre eventual violação de direitos, pelo poder público federal, às
normas internacionais sobre populações tradicionais e ao meio ambiente.
O procedimento adotado é característico da área
energética, em particular pelos gestores da energia nuclear no país, que agem
na surdina. Na calada da noite, sem nenhuma discussão com os maiores
interessados, as populações próximas do local que os “sábios” decidiram como o
mais adequado (?), a noticia vem a público, é vazada.
A reação nesse caso foi imediata visto que existe
um sentimento e um desejo da maioria da população de que tal forma de geração
de energia elétrica não ocorra no Brasil. Não importando em que região, a quase
unanimidade contrária a estas usinas existe fortemente. Todavia o governo e
setores minoritários, mas com grande poder de decisão, insistem nessa
insanidade que parece não ter limites.
Mas uma certeza é muito clara. As usinas
nucleares não terão espaço em nosso país, e por uma única razão, os brasileiros
e brasileiras não a desejam. Em 2014, vem pra a rua você também.
Heitor
Scalambrini Costa, Articlulista do Portal EcoDebate, é Professor da
Universidade Federal de Pernambuco.
Fonte: EcoDebate
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1/08/2014 08:54:00 AM
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terça-feira, 7 de janeiro de 2014
Importante para deter enchentes
na orla, manguezal é ecossistema ameaçado.
Desde os anos 80, cerca de 35% dos manguezais foram
destruídos em todo o mundo. A importância desse ecossistema para a proteção
costeira nem sempre é conhecida.
Uma floresta que se ergue do mar. Nas costas
tropicais, árvores singulares formam um cinturão verde entre o mar e a terra.
Os mangues precisam de águas mornas e uma mistura de água salgada e doce para
sobreviver. Numerosas espécies de aves vivem entre seus ramos e raízes aéreas.
Na água, peixes nadam entre suas raízes e caranguejos reviram o fundo
lamacento.
Desde os anos 80, entretanto, os valiosos
manguezais diminuíram em 35% em todo o mundo. Há várias razões para isso,
explica Ulrich Saint-Paul, do Centro Leibniz de Ecologia Tropical Marinha, da
Universidade de Bremen. Muitas vezes, eles são removidos para a construção de
portos, aeroportos ou residências. “Mas estas áreas também são cada vez mais
usadas para abrigar culturas de caranguejos e camarões, destinadas ao mercado
internacional.”
Para que o exterior receba camarões a preços
baratos, os países que abrigam manguezais pagam um preço alto. Com o fim dessa
vegetação, eles perdem um recurso importante, comenta Saint-Paul. “Os mangues
não são só importantes zonas de reprodução de peixes, mas servem à proteção costeira.
São barreiras naturais contra tempestades e, no quadro climático global, têm
uma função importante, pois retêm dióxido de carbono.”
A construção de barragens ou o desvio de rios
também ameaçam os manguezais, lembra o especialista em política de desenvolvimento
René Capote, que examinou manguezais em sua terra natal, Cuba, para seu
trabalho de doutorado pela Universidade de Bonn.
Mangues
são importante fonte de alimentos, como os caranguejos coletados por este homem
Segundo ele, os manguezais garantem uma água mais
limpa na zona costeira, através da filtragem de sedimentos. “Isso também é
importante para a preservação dos recifes de coral e para termos praias limpas
e, portanto, para o turismo”, lembra Capote.
Barreira natural contra tempestades
Em eventos climáticos extremos, os manguezais atuam
de várias maneiras como um cinturão de proteção. “Esse ecossistema pode
absorver uma grande quantidade de água, fazendo com que a inundação de áreas
povoadas após fortes chuvas seja reduzida”, diz o especialista cubano. Além
disso, eles também formam uma barreira natural contra ventos e ondas. “Suas
raízes aéreas e galhos seguram a inundação”, diz Femke Tonneijck, da
organização ambientalista Wetlands International, que luta pela preservação das
vegetações de mangue.
Além disso, esse ecossistema pode fornecer lenha e
alimentos às populações costeiras, na época posterior a uma catástrofe natural.
“No entanto, é necessário um cinturão de manguezais muito largo para atenuar
uma grande enchente”, sublinha Tonneijck. Por isso, ela luta por uma
revitalização das costas por meio de ações complementares, como a construção de
diques, em regiões onde os manguezais já desapareceram. Muitas vezes, nessas
áreas não há espaço suficiente para muitos quilômetros de cinturão verde.
O replantio também ajuda a combater a erosão
costeira. “Trabalhamos numa região de Java onde os mangues foram substituídos
por viveiros de peixes e camarões. Para a recuperação, você também precisa de
sedimentos, onde os mangues crescem. Em vez de construir estruturas duras, como
diques, para proteger a costa de uma erosão adicional, utilizamos estruturas de
madeira, similares a cercas, que permitem a passagem de sedimentos. Este método
tem sido usado há séculos na Holanda e no norte da Alemanha”, diz Tonneijck.
O
emaranhado de raízes absorve água e retém sedimentos
“Existem hoje técnicas muito bem sucedidas, e o
Banco Mundial financia tais projetos com muito dinheiro”, diz Saint-Paul. “Mas,
nesses casos, sempre se comete um erro: os manguezais são replantados como
monoculturas. A biodiversidade natural, que proporciona a uma floresta uma
estabilidade ecológica muito maior, não é considerada.”
Capote enfatiza ser necessário um planejamento de
longo prazo e um monitoramento constante das condições de crescimento em
projetos de revitalização de manguezais. Muitos projetos têm, segundo ele,
fracassado ao fim de poucos anos devido a negligências nos trabalhos de preparo
e manutenção de longo prazo.
Cultivo sustentável de camarão
Capote defende ainda a gestão sustentável dos
manguezais existentes, incluindo medidas para uma criação sustentável de peixes
e camarão. “Deveria ser introduzido um sistema de rotatividade que protegesse
certas áreas e que desse a zonas de mangue já exploradas a oportunidade de se
recuperarem. Além disso, deve ser evitada uma poluição duradoura através de
rações com aditivos químicos. Uma área só consegue alimentar um certo número de
camarões. É preciso escolher entre ganhos de curto prazo, que levam à
destruição de manguezais, e um lucro menor, que colabora na conservação dessas
áreas a longo prazo.”
A consciência da importância dos manguezais aumenta
após cada catástrofe provocada por tempestades tropicais, mas ela dura pouco,
critica Saint-Paul. “Precisamos de um programa educativo de longo prazo, tanto
nas escolas como na educação de adultos, para fazer com que as pessoas que
moram perto dos manguezais percebam a importância dessa vegetação e saibam as
razões pelas quais ela deve ser protegida.”
Matéria de Irene Quaile (md), na Agência Deutsche Welle,
DW.
Fonte: EcoDebate
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1/07/2014 09:02:00 AM
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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
Lei obriga plantio de uma árvore a cada carro zero km vendido em MT
Deputados derrubaram veto e promulgaram lei nesta semana. Concessionárias devem elaborar programa para o plantio de árvores.
Uma lei aprovada pelos deputados estaduais de Mato Grosso nesta semana obriga as concessionárias a plantarem uma árvore a cada carro zero quilômetro vendido no estado. O projeto havia sido vetado pelo governador Silval Barbosa (PMDB), porém, a mensagem retornou para o Legislativo, que derrubou o veto e promulgou a lei. Para o deputado Ademir Brunetto (PT), autor da proposta, a medida visa amenizar os danos ambientais causados pelos gases poluentes emitidos pelos automóveis.
"Os veículos automotores são os maiores responsáveis pela emissão de poluentes, por isso, as concessionárias têm que dar sua contribuição ambiental, de modo a neutralizar esses gases emitidos", afirmou o parlamentar. Ele explicou que as concessionárias devem desenvolver programas para definir sobre o plantio dessas árvores no estado. A lei deve ser regulamentada e aplicada no ano que vem.
Pela nova lei, o plantio deve ser feito em locais públicos que podem ser escolhidos pelas próprias revendedoras de veículos. As árvores também podem ser plantadas em Áreas e Preservação Permanente (APP) e ainda em áreas de propriedade particular. A medida também permite que o reflorestamento seja utilizado para a venda de créditos de carbono, como forma de compensação dos danos ambientais causados, e para o corte de madeira. Isso depois de 10 anos do plantio e com o aval da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema).
Para a extração da madeira, é preciso que a concessionária elabore projetos e apresente à Sema. As espécies devem ser nativas da região onde serão plantadas, como estabelece a proposta.
Novos veículos
De 2012 até novembro deste ano, 214,2 mil novos emplacamentos de veículos foram feitos em Mato Grosso. Somente em Cuiabá, 31 mil novos veículos começaram a circular pelas ruas da cidade em 2013. A maioria é de carros de passeio e motocicletas, de acordo com dados da Federação Nacional dos Distribuidores de Veículos Automotores de Mato Grosso (Fenabrave). No ano passado, esse número foi inferior ao do ano passado, quando 29,6 mil novos veículos passaram a circular em Cuiabá.
Fonte: G1
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1/06/2014 09:03:00 AM
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Lei polêmica obriga moradores em SP a plantar árvores na frente de casa
Plano de arborização prevê fiscalizar plantio e poda em Sertãozinho (SP). Multas podem variar de R$ 200 a R$ 2 mil, além de negação do 'Habite-se'.
Analídia Ferri Do G1 Ribeirão e Franca
Benedito Borges de Carvalho e a esposa Ercília Tamião de Carvalho aproveitam a sombra das árvores plantadas em frente à casa da família (Foto: Adriano Oliveira/G1)
Antes mesmo de construir a casa da família há 28
anos, em Sertãozinho (SP), o caldeireiro Benedito Borges de Carvalho plantou
duas árvores na calçada. O objetivo era que as plantas oferecessem sombra e ar
fresco, principalmente aos finais de tarde. As mudas cresceram com os alicerces
do imóvel, mas, acabaram sendo atacadas por cupins. Carvalho não pensou duas
vezes: em menos de uma semana substituiu as que estavam podres por outras.
"Nem penso em ficar sem árvores. Elas refrescam a casa, protegem do sol.
Não tem nada melhor do que sentir o vento fresco embaixo delas em dia de calor."
Para incentivar esse tipo de ação, uma lei
municipal sancionada em setembro deste ano passou a obrigar os moradores a
plantarem árvores em lotes comerciais ou residenciais, sob pena de multa. Além
disso, quem descumprir a lei pode não obter a liberação do 'Habite-se',
documento com a aprovação do imóvel conforme as exigências da Prefeitura.
A medida gerou polêmica: segundo os critérios da lei n.º 5.536, que dispõe sobre a arborização urbana em Sertãozinho, é obrigatório o plantio e a manutenção de uma árvore por lote ou propriedade edificada com até 12 metros de frente. Para isso, a Prefeitura disponibilizará gratuitamente mudas de espécies nativas. O corte e a poda de árvores também só poderão ser realizados mediante autorização da Secretaria do Meio Ambiente, que disponibilizará profissionais para executar o serviço.
Quem desrespeitar a lei pode receber multa que varia de R$ 200 a R$ 2 mil por árvore abatida ou podada sem autorização. Um Plano de Arborização Urbana também está sendo elaborado para efetivar a fiscalização. "Vamos utilizar imagens de satélites para saber se árvores foram cortadas. Esse projeto está previsto já para o ano que vem”, diz o secretário de Meio Ambiente, Carlos Alexandre Ribeiro Gomes.
A medida gerou polêmica: segundo os critérios da lei n.º 5.536, que dispõe sobre a arborização urbana em Sertãozinho, é obrigatório o plantio e a manutenção de uma árvore por lote ou propriedade edificada com até 12 metros de frente. Para isso, a Prefeitura disponibilizará gratuitamente mudas de espécies nativas. O corte e a poda de árvores também só poderão ser realizados mediante autorização da Secretaria do Meio Ambiente, que disponibilizará profissionais para executar o serviço.
Quem desrespeitar a lei pode receber multa que varia de R$ 200 a R$ 2 mil por árvore abatida ou podada sem autorização. Um Plano de Arborização Urbana também está sendo elaborado para efetivar a fiscalização. "Vamos utilizar imagens de satélites para saber se árvores foram cortadas. Esse projeto está previsto já para o ano que vem”, diz o secretário de Meio Ambiente, Carlos Alexandre Ribeiro Gomes.
A dona de casa Luzia Nassabain tem quatro tipos de árvores no quintal de casa: 'Não vale desse jeito?', questiona (Foto: Adriano Oliveira/G1)
Alternativas
Ainda desconhecida pela maioria da população, a nova lei divide opiniões. Morando há 49 anos no mesmo lugar, a dona de casa Luzia Conceição Nassabain, de 75 anos, conta que já teve uma árvore na calçada de casa, mas a planta precisou ser retirada porque parte do imóvel foi alugado para um comércio. "Hoje, não tem como plantar árvore porque só fiquei com um espaço pequeno, que é a garagem. Não tem como", explica.
Ainda desconhecida pela maioria da população, a nova lei divide opiniões. Morando há 49 anos no mesmo lugar, a dona de casa Luzia Conceição Nassabain, de 75 anos, conta que já teve uma árvore na calçada de casa, mas a planta precisou ser retirada porque parte do imóvel foi alugado para um comércio. "Hoje, não tem como plantar árvore porque só fiquei com um espaço pequeno, que é a garagem. Não tem como", explica.
A alternativa para moradores como Luzia é pagar
R$ 40 por árvore ao Fundo Municipal do Meio Ambiente, valor que será revertido
em plantio em outros locais. A Secretaria também pode indicar outros pontos
para compensação, caso o morador opte pelo plantio.
"Eu não posso ter árvore na calçada, mas
tenho muitas no meu quintal, que é bem grande. Eu alimento os passarinhos, é
uma festa", afirma Luzia, que tem plantadas no fundo de casa uma
mangueira, uma pitangueira, duas goiabeiras e um pé de romã. "Não vale
desse jeito?", questiona a dona de casa.
Prefeitura de Sertãozinho quer incentivar moradores a
plantar árvores em frente às casas (Foto: Adriano Oliveira/G1)
Informação
O secretário de Meio Ambiente, Carlos Alexandre Ribeiro Gomes, explica que medidas ainda serão tomadas para informar a população sobre o que pode ou não de acordo com a nova lei. Parte do material será distribuído em escolas públicas durante campanhas educativas, entre outras ações. “As cartilhas terão instruções sobre quais os tipos de mudas são indicadas, quais as formas de cultivo e preservação das árvores”, finaliza.
O secretário de Meio Ambiente, Carlos Alexandre Ribeiro Gomes, explica que medidas ainda serão tomadas para informar a população sobre o que pode ou não de acordo com a nova lei. Parte do material será distribuído em escolas públicas durante campanhas educativas, entre outras ações. “As cartilhas terão instruções sobre quais os tipos de mudas são indicadas, quais as formas de cultivo e preservação das árvores”, finaliza.
Os moradores que desejarem obter mudas de
espécies nativas podem procurar o viveiro municipal, localizado na Rua Joaquim
Pereira da Silva, n.º 330, anexo ao Parque Ecológico, de segunda a sexta-feira,
das 8h às 11h e das 12h às 16h.
Fonte: G1
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1/06/2014 08:56:00 AM
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sábado, 4 de janeiro de 2014
A silvicultura urbana e as
geotecnologias, artigo de Ivan André Alvarez
Foto: 5° Concurso de Fotografia Árvores da Cidade de São Paulo – 1º Lugar
de 2009 Ullysses Martins Moreira Neto. Fonte: Paraty em Foco
[EcoDebate]
A Silvicultura Urbana é a ciência que estuda o conjunto da vegetação de porte
arbóreo que reveste uma cidade, em área pública e privada, com finalidades
ecológica, social e econômica. As geotecnologias se baseiam na referência
geográfica para disponibilizar informação para o planejamento territorial.
Essas técnicas auxiliam o planejamento e o gerenciamento, mas não são um fim em
si, por isso necessitam de validação e acompanhamento das ações. A utilização
dos diagnósticos gerados com o uso dessa técnica permite acompanhar
sistematicamente o resultado do manejo, mas se o banco de dados não for
corretamente alimentado não será promissora a continuidade das ações.
As geotecnologias apoiam em especial a
silvicultura urbana no que diz respeito ao planejamento da expansão urbana, de
estudos de áreas de risco ambiental, áreas de lazer e parques, modelos de
elevação, classificação do uso do solo, locação de redes de energia, água e
gás, desenvolvimento de SIG para gerenciamento de unidades residenciais, comerciais
e de pontos turísticos, cadastro de árvores para valoração e realocação e
realização de planos diretores. Essa tecnologia tem uma vantagem significativa
de obter informações sem invadir a área de estudo. Por meio da captação da
energia do objeto, os sensores são capazes de converter a energia em imagem.
Em especial para árvores de ruas o inventário
florestal é necessário para manejo. O sensoriamento remoto pode ser um aliado
para agilizar esse inventário. Ainda não é possível de ser feito totalmente de
forma remota, mas existem possibilidades que estão em estudo para aprimorar a
captação de novos espectros das imagens para identificação de espécies por meio
de sensor hiperespectral e de dados adquiridos por laser que dariam as
dimensões das árvores. A validação em campo é necessária para aferir o grau de
acurácia do inventário.
As ilhas de calor podem ser identificadas com o
sensoriamento remoto térmico, seja por meio de câmeras multiespectrais que
possuem a banda termal, seja pela banda termal do satélite. A resolução
espacial para as imagens obtidas pelo sensor do satélite Landsat é muito baixa
para precisar o microclima sobre os espaço urbano, mas é possível ter uma ideia
geral dos efeitos da vegetação sobre o clima local. A escala é de 60 metros
para alguns anos e de 120 metros para a maioria dos satélites, o que generaliza
muito os dados, homogeinizando temperaturas de superfície diferentes. O ideal é
utilizar outros sensores que captem a banda termal com maior resolução
espacial.
A utilização de geotecnologias para mensurar os
benefícios das florestas urbanas pode explicar como as áreas urbanas se
expandem, o papel da vegetação em melhorar a qualidade ambiental e como valorar
esses serviços ambientais. Dessa forma é possível criar políticas públicas
adequadas para a silvicultura urbana. A implementação de uma abordagem baseada
em critérios e indicadores para avaliação da floresta urbana, baseados nas
geotecnologias, depende antes da tomada de decisão de quais parâmetros são mais
importantes. Desta forma, é necessário que os diferentes agentes do poder
público e dos usuários do sistema interajam na escolha dos critérios.
Ivan André Alvarez é pesquisador da Embrapa
Monitoramento por Satélite.
Colaboração de Graziella Galinari, da Embrapa
Monitoramento por Satélite.
Fonte: EcoDebate
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1/04/2014 08:41:00 AM
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Cientistas registram aumento do
degelo no oeste da Antártida
Imagem: CPOM/ESA
A cobertura de gelo no oeste da Antártida parece
estar recuando muito mais do que alguns anos atrás, revelou um estudo climático
da Agência Espacial Europeia (ESA). Matéria da AFP, no UOL Notícias, com informações adicionais do EcoDebate.
Estudos anteriores, realizados entre 2005 e 2010,
estimaram que a cobertura de gelo contribuiu com 0,28 milímetro ao ano para a
elevação do nível do mar.
Mas três anos de observações do satélite europeu
de monitoramento do gelo CryoSat sugerem que a contribuição agora seria 15%
maior.
A cobertura de gelo está perdendo cerca de 150
quilômetros cúbicos de gelo por ano, anunciou a Agência Espacial Europeia (ESA)
em um comunicado de imprensa.
O fenômeno está vinculado a um afinamento nos
fluxos de gelo em três grandes geleias – Pine Island, Thwaites e Smith -,
afirmou o cientista polar Malcolm McMillan, na Universidade de Leeds, na
Grã-Bretanha.
“Nós achamos que o afinamento do gelo continua a
ser mais pronunciado ao longo de cursos de gelo de escoamento rápido neste
setor e seus tributários, com taxas de redução de quatro a oito metros ao ano
perto da linha do solo, onde os cursos de gelo se desprendem da terra e começam
a flutuar no oceano”, afirmou.
Climatologistas observam com preocupação as
poderosas coberturas de gelo da Groenlândia e da Antártida.
Ali permanecem muitas dúvidas sobre como este
gelo armazenado está respondendo ao aquecimento global, mas a perda de apenas
uma parte significativa dele ameaçaria cidades costeiras vulneráveis.
A média do nível do mar global subiu 19
centímetros entre 1901-2010, uma média de 1,7 milímetro ao ano, e acelerou para
3,2 milímetro ao ano entre 1993 e 2010.
Em setembro, o painel de especialistas em clima
informou em seu Quinto Relatório de Avaliação que a perda de cobertura de gelo
na Groenlândia tinha, provavelmente, aumentado de 34 bilhões de toneladas ao
ano na década até 2001 para 215 bilhões de toneladas ao ano na década seguinte.
Na Antártida, a taxa de perda provavelmente
aumentou de 30 bilhões de toneladas ao ano para 147 bilhões de toneladas ao ano
na mesma escala de tempo, destacou o painel.
A maior parte da perda ocorreu na península do
norte da Antártida, considerada um “ponto quente” onde a taxa de aquecimento
corresponde a várias vezes a média global, e na região do mar de Amundsen, no
oeste da Antártida, emendou.
O CryoSat usa um radar que mede a variação da
altura do gelo com precisão elevada, permitindo aos cientistas calcular o
volume da cobertura de gelo.
As novas descobertas foram apresentadas em um
encontro em San Francisco, Califórnia, da American Geophysical Union, informou
a ESA.
Fonte: EcoDebate
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1/04/2014 08:38:00 AM
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sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
Todos contra a Terceirização
Artistas atacam projeto de terceirização
Artistas gravam vídeos contra projeto sobre terceirização. Camila Pitanga, Wagner Moura, Osmar Prado, Bete Mendes, Dira Paes, entre outros, participam de mensagem que rechaça a prática da terceirização.
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1/03/2014 09:29:00 AM
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Após quatro anos em queda,
desmatamento na Amazônia cresceu 28% em 2013
Após quatro anos consecutivos de queda, o
desmatamento na Amazônia voltou a crescer e subiu 28%, segundo números do
Projeto de Monitoramento da Floresta Amazônica por Satélites (Prodes), do
Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais (Inpe). Os dados apresentados em
novembro pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, referem-se ao
período de agosto de 2012 a julho de 2013 e mostram que a área desmatada chegou
a 5.843 quilômetros quadrados (km²).
Apesar do aumento, a ministra assegurou que essa
é a “segunda menor taxa de desmatamento já registrada em toda a história” desde
que o monitoramento começou a ser feito em 1988. Entre os estados que mais
desmataram estão Mato Grosso (52%) e Roraima (49%). Quando o cálculo é feito em
quilômetros, os estados que lideram o ranking de desmatamento são o Pará, com
2.379 km², e Mato Grosso, com 1.149 km².
A ministra atribuiu esse aumento ao crime
organizado. “Quem desmata 1.000 hectares sem medo de ser pego, [é porque] tem
alguém dando cobertura. É inaceitável que se tenha aumento na taxa de
desmatamento com base na ilegalidade. O governo federal não tolerará”, disse.
Além do crescimento do desflorestamento, a
ministra informou que a outra notícia era o aumento das áreas desmatadas,
tendência em queda nos últimos anos. “A má notícia que se confirma é o aumento
dos polígonos de desmatamento. É impactante o que aconteceu no Pará, com áreas
desmatadas acima de 1.000 hectares”, disse Izabella.
Essa situação ocorre ao longo do eixo da BR-163
(Cuiabá-Santarém) e indica a grilagem para especulação fundiária em terras
públicas. A existência de mais de 3 mil garimpos ilegais e de grandes obras de
infraestrutura também pressiona a devastação das florestas no estado. Em Mato
Grosso, o desmatamento é feito em terras privadas para a expansão de área
agrícola destinada à soja.
Segundo a ministra, o desflorestamento não
aumentou por falta de recursos. “Nego que haja falta de investimentos na área
ambiental. Não há corte de recursos para fiscalização na Amazônia”. Ela pediu
que os estados se engajem no combate ao desmatamento. “É lamentável que em
alguns estados esteja ocorrendo aumento de desmatamento, mas é um compromisso
nosso reverter essa tendência”, disse.
Izabella informou que a pasta vai intensificar as
ações de combate ao desmatamento ilegal, com radares com visor que permitem o
monitoramento em período chuvoso, imagens de satélites que vão enxergar
desmatamentos de até 3 hectares e com o aumento de processos criminais.
As imagens de satélites usadas pelo Inpe,
responsável pelo Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real (Deter),
mostraram que, entre agosto e outubro de 2013, houve queda de 24% dos alertas
de desmatamento e degradação em comparação com o mesmo período do ano passado.
Nesses três meses, 886 km² foram devastados no bioma amazônico. No mesmo
período de 2012, foram desflorestados 1.082 km².
Para o pesquisador do Instituto do Homem e do
Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), Beto Veríssimo, essa tendência de queda
pode ser atribuída à maior fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio
Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). “O governo vem apertando o
cerco contra o desmatamento e o resultado está começando a aparecer”, avaliou.
Edição: Graça Adjuto
Reportagem de Ana Cristina Campos, da Agência
Brasil.
Fonte: EcoDebate
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1/03/2014 09:12:00 AM
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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
Lixo recolhido em rios da capital
fluminense aumenta 45% em 2013
A quantidade de lixo retirada de 24 rios e
canais da capital aumentou 6 mil de metros cúbicos (m3) em 2013, informa estudo
da Secretaria Municipal do Meio Ambiente sobre o trabalho do Programa Guardiões
dos Rios. O crescimento equivale a cerca de 45% de um ano para outro.
Do Rio Papa-Couve, que faz parte da Bacia de
Guanabara, foram retirados 2.709 m3 de lixo, 124% a mais do que no ano passado.
Ainda na Bacia de Guanabara, o Rio Jacaré teve
aumento de 181% no número de resíduos, com 592 m3 de lixo retirados em 2013,
seguido pelo Tubiacanga, com 81% a mais, elevando seu total para 926 m3 de
resíduos retirados. Como um todo, a bacia cresceu de 6,3 mil m3 para 9,3 mil
m3, uma alta de 48% no volume de resíduos.
Na Bacia Oceânica, majoritariamente da zona
oeste, foi registrado um aumento ainda maior, de 71%, com 9,03 mil m3 de
resíduos recolhidos em 2013. Nessa bacia está o Rio das Pedras, que teve o
maior crescimento no volume de lixo: 303%, com salto de 116,62 m3 recolhidos
para 469,88 m3. O Canal das Taxas subiu 257,16% e se tornou campeão da bacia,
com o maior aumento absoluto de lixo: de 710 para 2,5 mil m3.
Somente cinco dos 22 rios e canais nas duas
bacias registraram queda no volume de lixo recolhido, mas nenhuma acima de 20%.
A terceira bacia da capital fluminense, a de Sepetiba, teve redução nos dois
rios que fazem parte do programa. No Rio Guarajuba, o volume de lixo recolhido
caiu 49%, e, no Piraquê, a queda foi de 38%.
O Programa Guardião dos Rios usa mão de obra de
comunidades do entorno dos rios, pessoas capacitadas e empregadas no projeto.
De acordo com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, não houve modificações
no número de pessoas envolvidas no recolhimento do lixo.
Edição: José Romildo
Reportagem de Vinícius Lisboa, da Agência
Brasil.
Fonte: EcoDebate
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1/02/2014 03:00:00 PM
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Ministério Público Federal quer
sistema de alerta nacional para emergências climáticas
Chuvas fortes, inundações, tempestades e outras
catástrofes climáticas que afetam a vida de milhares de pessoas devem ser
avisadas rapidamente à população com apoio de meios de comunicação como redes
de telefonia móvel, rádios e televisão. A recomendação foi expedida pelo
Ministério Público Federal (MPF) aos ministérios das Comunicações e da
Integração Nacional e ainda à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
O objetivo da recomendação é regulamentar o
sistema nacional de comunicação de alertas de emergência, que disponibiliza um
canal para as defesas civis Federal, Estadual e Municipal entrarem em contato com
as populações das áreas afetadas. Sistemas semelhantes já funcionam há décadas
em países como Estados Unidos e Japão, alertando com antecedência os moradores
a se protegerem, de acordo com o MPF.
A procuradora da República Luciana Gadelha
explica que já existem iniciativas em que mensagens por SMS são enviadas para
moradores pré-cadastrados em municípios normalmente afetados pelas enchentes,
como Nova Friburgo, na região serrana fluminense. Porém, ela ressalta que o
alcance ainda é pequeno, porque muitas pessoas trocam de número celular com
frequência, o que inviabilizaria a iniciativa.
O ideal, segundo ela, seria um sistema de difusão
de mensagens a todos os clientes das operadoras em determinadas áreas,
garantindo que todos recebam alertas por SMS, na iminência da ocorrência de uma
chuva mais forte.
“Existem estudos do Banco Mundial mostrando que,
para cada R$ 1 investido em prevenção, se economiza R$ 5 em reconstrução. O
Brasil precisa da regulamentação de um sistema de prevenção, que seria uma
porta de comunicação entre a defesa civil e a população, permitindo que os
alertas de desastres cheguem a quem reside em área de risco. Isso com uso dos
equipamentos de comunicação, como rádio, televisão e celular”, explicou
Luciana.
A procuradora, que coordena o Grupo de Trabalho
Desastres Naturais e Moradias do MPF, quer que as operadoras de telefonia, que
hoje não têm obrigação de encaminhar mensagens de celular para a população,
desempenhem a tarefa. Também participariam do sistema as emissoras de rádio e
televisão. O MPF convocou uma reunião com operadoras e emissoras para discutir
o tema no próximo dia 27, na sede do órgão, no centro do Rio.
Edição: Davi Oliveira
Reportagem de Vladimir Platonow, da Agência
Brasil.
Fonte: EcoDebate
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1/02/2014 02:58:00 PM
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Situação análoga à escravidão
atinge 29,8 milhões de pessoas no mundo
Existem atualmente no mundo 29,8 milhões de
pessoas em situação análoga à escravidão. A estimativa consta do relatório
Índice de Escravidão Global 2013, da Fundação Walk Free.
A África e a Ásia, de acordo com o documento, são
os continentes com a maior incidência e prevalência de pessoas nessa condição.
Somadas, a Índia, China, o Paquistão, a Nigéria, Etiópia, Rússia, Tailândia, o
Congo, Myanmar e Bangladesh têm 76% do total mundial, cerca de 22,6 milhões de
pessoas.
Nos parâmetros do índice, escravidão é a condição
de uma pessoa sobre a qual é exercido qualquer poder de propriedade. Entre
essas condições estão a servidão por dívida, casamento forçado ou servil e a
venda ou a exploração de crianças – inclusive em conflito armado. Por
incidência, entende-se a proporção ou a quantidade de novos casos. Por
prevalência, o total de casos em um determinado momento. Assim, a incidência
reflete as condições de vida nos países em questão – que propiciam, ou não, o
aparecimento de casos e a manutenção dos índices.
“[Os parâmetros] não são baseados em legislação,
mas, na realidade, as pessoas exploradas de alguma forma, especialmente a
econômica”, disse à Agência Brasil o autor do relatório, Kevin Bales.
De acordo com o índice, os países com o maior
número de trabalho escravo são a Índia, China e o Paquistão. Na Índia, existem
de 13,3 milhões e 14,7 milhões de pessoas escravizadas – quantidade mais de
duas vezes superior à população do Paraguai, com cerca de 6 milhões de
habitantes. Segundo o levantamento da Walk Free, a maioria dos casos é a
escravização de indianos pelos próprios indianos, por meio da manutenção de
dívidas e de trabalho forçado.
A China, o segundo país com a maior quantidade
absoluta de pessoas em condição análoga à escravidão, estima-se que haja de 2,8
milhões e 3,1 milhões de casos, entre os quais o uso de mão de obra forçada de
homens, mulheres e crianças, servidão doméstica e exploração sexual.
Proporcionalmente, a Mauritânia, na Costa Oeste
da África, é o país que lidera o ranking dos de maior incidência de trabalho
escravo – de 140 mil e 160 mil pessoas estão em situação análoga à escravidão,
o dado representa que, pelo menos, 3,6% da população, de 3,8 milhões de
pessoas, são atingidas pelo problema. De acordo com a Walk Free, a situação se
deve à tradição de escravidão no país, refletida pelos altos índices de casamento
infantil forçado.
No Haiti, o segundo país no ranking, os
conflitos, a ocorrência de terremotos e a tradição de escravidão infantil são
os fatores que influenciam a alta incidência de situações análogas à
escravidão. No país, há de 200 mil a 220 mil pessoas escravizadas – 1,9% da
população de 10,2 milhões de pessoas. No Afeganistão, o país com a terceira
pior colocação, existem mais de 2 milhões de pessoas (1,1% da população de 179
milhões) nessas condições. Segundo o índice, devido ao grande contingente de
refugiados e à frágil legislação vigente.
“Na maioria dos casos, a situação é a
insuficiência legislativa e a falta de recursos. Os países não têm as leis
específicas, o entendimento público do que significa situação análoga à
escravidão e não investem para solucionar o problema”, disse Bales.
Em contrapartida, a Islândia, a Irlanda e o Reino
Unido são os países com a mais baixa incidência de escravização, empatados 160º
lugar no ranking – com 100, 340 e 4,6 mil pessoas em situação análoga à
escravidão, respectivamente. Para o autor do índice, a situação desses países
com as menores incidência e prevalência é tão crítica quanto – se não mais que
– a dos países com os maiores indicativos.
“Eu diria que esses são igualmente críticos aos
que têm mais, pois eles não têm desculpa. Não são pobres, não têm corrupção.
Então o que está errado é que ainda não eliminaram a escravidão”, declarou
Bales.
No levantamento, além da medição quantitativa dos
casos, são identificados fatores de risco relevantes e a comparação dessas
vulnerabilidades entre os países. Entre os fatores de risco, estão a extensão
das políticas adotadas nos países; a extensão das garantias aos direitos
humanos; a estabilidade do Estado, que mede fatores como corrupção; e o nível
de discriminação sofrida pelas mulheres.
O índice da Walk Free é a primeira edição do
trabalho da fundação em que há um ranking do uso de mão de obra escrava em 162
países. O ranking foi elaborado de acordo com a avaliação e a mensuração de
três critérios considerados determinantes para a incidência de condições
análogas à escravidão: a prevalência do trabalho escravo, os casos de casamento
infantil e o tráfico de pessoas.
“Esse índice tem o objetivo de medir onde estamos
e para onde temos de ir. Os países têm de definir até quando esse tipo de
situação será aceita”, ressaltou Bales, enfatizando a necessidade de o aumento
da participação de organizações da sociedade civil e da ampliação do acesso a
serviços públicos.
Reportagem de Carolina Sarres, da Agência
Brasil
Fonte: EcoDebate
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1/02/2014 08:25:00 AM
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quarta-feira, 1 de janeiro de 2014
Mundo corre o risco de ficar
3,6ºC mais quente, adverte a Agência Internacional de Energia (AIE)
O mundo ficará, a longo prazo, 3,6 graus Celsius
(ºC) mais quente se os governos simplesmente mantiverem os seus objetivos
atuais alertou, ontem (12), a Agência Internacional de Energia (AIE). Os
representantes da agência participam em Varsóvia (Polônia) das discussões sobre
as alterações climáticas.
No cenário estabelecido pela AIE para os países
desenvolvidos, as emissões de gases que provocam o efeito estufa relacionados
com a energia, que representam cerca de dois terços do total das emissões,
sofrerão um aumento de 20% até 2035, mesmo com os esforços já anunciados pelos
países comprometidos com as preocupações ambientais.
Este cenário ” leva em conta o impacto das
medidas anunciadas pelos governos para melhorar a eficiência energética, o
apoio às energias renováveis, a redução dos subsídios aos combustíveis fósseis
e, em alguns casos, a colocação de um preço nas emissões de gás carbônico”,
disse a AIE no relatório anual de referência, apresentado nesta terça-feira em
Londres.
No entanto, o aumento de 20% nas emissões de
energia – principalmente as geradas pelo carvão e pelo petróleo e, em menor
grau, do gás – dentro de 20 anos “deixa o mundo a caminho de temperaturas
médias globais de 3,6°C, bem acima da meta de 2ºC definida internacionalmente”,
informou a AIE.
Observando o papel fundamental do componente
energético no sucesso ou no fracasso da política climática internacional, o
departamento de energia da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento
Econômico (OCDE) apoiou as iniciativas recentes, entre as quais o plano de ação
apresentado pelo presidente americano Barack Obama; o anúncio de Pequim
relativo a uma limitação de carvão; e o debate europeu sobre metas climáticas
para 2030, salientando que “todas têm o potencial de limitar o crescimento das
emissões de gás carbônico”.
Matéria da Agência Lusa / ABr
Fonte: EcoDebate
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1/01/2014 08:25:00 AM
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