quinta-feira, 29 de maio de 2014

Mais de 2 mil trabalhadores foram tirados de trabalho análogo a escravo em 2013.
Em 2013, 2.063 trabalhadores foram resgatados de uma situação análoga a de escravo.

Balanço divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) mostra que em 2013, 2.063 trabalhadores foram resgatados de uma situação análoga a de escravo. Foram feitas 179 operações em todo o país. Do total de resgatados, 1.068 estavam trabalhando na zona urbana. Pela primeira vez os resgates na zona urbana superaram os da zona rural.

Minas Gerais seguido de São Paulo foram os estados com maior número de trabalhadores resgatados, respectivamente 446 e 419. Segundo o MTE, a construção civil, a agricultura e a pecuária foram as áreas com maior incidência de resgates.

Na zona urbana mineira, todos os trabalhadores resgatados atuavam na construção civil. Já na paulista, parte atuava na construção civil e na indústria têxtil.

Quase 28 mil trabalhadores, formalizados ou não, foram alcançados pelas fiscalizações de 2013. As autuações do MTE resultaram em mais de R$ 8 milhões pagos a título de verbas rescisórias e foram lavrados 4.327 autos de infração por causa das irregularidades encontradas.

Mais de 2 mil trabalhadores foram tirados de trabalho análogo a escravo em 2013.
Em 2013, 2.063 trabalhadores foram resgatados de uma situação análoga a de escravo.

Balanço divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) mostra que em 2013, 2.063 trabalhadores foram resgatados de uma situação análoga a de escravo. Foram feitas 179 operações em todo o país. Do total de resgatados, 1.068 estavam trabalhando na zona urbana. Pela primeira vez os resgates na zona urbana superaram os da zona rural.

Minas Gerais seguido de São Paulo foram os estados com maior número de trabalhadores resgatados, respectivamente 446 e 419. Segundo o MTE, a construção civil, a agricultura e a pecuária foram as áreas com maior incidência de resgates.

Na zona urbana mineira, todos os trabalhadores resgatados atuavam na construção civil. Já na paulista, parte atuava na construção civil e na indústria têxtil.

Quase 28 mil trabalhadores, formalizados ou não, foram alcançados pelas fiscalizações de 2013. As autuações do MTE resultaram em mais de R$ 8 milhões pagos a título de verbas rescisórias e foram lavrados 4.327 autos de infração por causa das irregularidades encontradas.

Com problemas de escassez de água, irrigação por gotejamento é alternativa para cultivar milho na França.
As mangueiras dividem os campos em quadrículas situadas a 20 ou 30 centímetros de profundidade. As goteiras ficam a 50 centímetros umas das outras e alimentam constantemente com uma pequena quantidade de água nas raízes. Foto de GUILLAUME SOUVANT/AFP.

 Os agricultores do sul da França encontraram na rega por gotejamento a solução para irrigar de forma eficaz seus campos de milho, castigados pela seca.

O sistema de rega gota a gota foi criado em Israel nos anos 1960. Mais tarde foi exportado para a África, especialmente ao Quênia, e há três anos começou a se estender para os campos de milho do sul da França, uma região com problemas de escassez de água.

No sudoeste do país, onde predomina a monocultura deste cereal, havia tensões pelo uso dos recursos naturais, explicou o engenheiro agrônomo Marc Dufumier, autor do livro “50 idées reçues sur l’agriculture et l’alimentation” (50 ideias pré-concebidas sobre a agricultura e a alimentação).

“Estas tensões começaram com as mudanças culturais ocorridas com a chegada, no final dos anos 1980, do milho que precisa de mais água, especialmente em um terreno calcário”, diz Alexis Delaunay, do escritório francês da água.

Alguns agricultores estavam fartos das ordens que limitavam ou proibiam a rega. Joel Herault é um deles e falar com ele de água supõe colocar o dedo em uma ferida ainda aberta.

Apesar da enésima proibição, ele continuou regando suas terras e em 2005 foi condenado a uma multa de 1.000 euros (1.350 dólares). “Caí em depressão, lembra, com amargura.

- Vinte por cento menos de água -

Quase dez anos depois, Herault decidiu dotar de irrigação por gotejamento um terço de seus 120 hectares. O investimento foi importante – pelo menos 4.000 euros por hectare – para melhorar a rentabilidade.

O sistema de rega gota a gota em grandes superfícies de cultivo é discreto, pois fica sob o solo e aparece muito menos do que um jato d’água ou uma instalação de aspersão. Mas a principal vantagem é que gasta muito menos água.

As mangueiras dividem os campos em quadrículas situadas a 20 ou 30 centímetros de profundidade. As goteiras ficam a 50 centímetros umas das outras e alimentam constantemente com uma pequena quantidade de água nas raízes.

O sistema permite economizar 30% de água, pois evita a perda por evaporação ou que se distancie por causa do vento, segundo a empresa israelense Netafim, especialista na questão.

Um instituto de pesquisas ambiental e de agricultura francês, que estuda a rega por gotejamento desde 2008, limita esta economia de água entre 15% e 20%.

Mas os benefícios não se limitam ao uso d’água.

As tubulações também permitem distribuir fertilizantes de forma mais eficaz e o fato de que as parcelas permaneçam secas evita a proliferação de ervas daninhas e fungos, razão pela qual não é preciso adicionar herbicidas ou fungicidas.

Também se economiza em mão-de-obra para regar, explicou Christophe Harel, encarregado da empresa Netafim no noroeste da França.

Os irmãos Thuaud, que têm suas terras no oeste, garantem que graças a esta rega de precisão conseguiram economizar 40% de água e 20% de adubo, o que lhes permitiu aumentar significativamente a rentabilidade de sua produção de milho e o nível de proteínas no trigo.

Apesar destas vantagens, ainda são poucos os agricultores na França que podem assumir os custos de instalação e manutenção deste sistema de irrigação. Apenas 1.000 hectares de milho – do 1,8 milhão cultivado – utilizam gotejamento.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Porque ‘não vai ter Copa’, artigo de Montserrat Martins.
Manifestação na Avenida Paulista dia 20 de junho de 2013. Foto: Marcos Santos/USP Imagens.

Tem quem não entenda os protestos e ache que é coisa de baderneiros ou golpistas. Vamos aos fatos, então. Quando o Brasil foi escolhido como sede e assinou o protocolo para a Copa do Mundo, lá em 2007, o governo afirmou que nenhum dinheiro público seria gasto, que as obras seriam da iniciativa privada, o que seria perfeitamente possível, dado o potencial de negócios gerado por uma competição desse porte. Só que nada disso ocorreu, não houve planejamento e após 7 anos, quando chegou a hora do “vamos ver”, tudo estava por ser feito. O governo que prometera nada gastar na Copa, acabou desviando dos cofres públicos pelo menos 25 bilhões de reais (quase o orçamento anual do RS). “Desviando” é o termo certo, já que a promessa era que a iniciativa privada investisse na Copa e se beneficiasse com esse empreendimento.

A revolta contra a falta de investimentos em saúde e educação não é retórica, a associação entre os fatos é verídica. Dez bilhões deixaram de ser investidos em saneamento, valor que foi gasto apenas em estádios. Não é mesmo uma “revolta sem causa” e também não é uma manifestação eleitoral, já que os protestantes não tem partido, na sua grande maioria, nem tem apoio da mídia.

O povo brasileiro sempre foi criticado por sua passividade, questionamento que uma peça de teatro clássica consagrou, “Esperando Godot”. Estamos sempre esperando que chegue alguém e nos salve, faça por nós o que não temos a iniciativa de fazer. Nos falta convicção, para não dizer que falta coragem, nos falta autoestima, nos falta identidade. Acontece que não adianta nos reunirmos todos os dias para esperar Godot que nunca chega. Um dia teremos de acordar e fazer por nós mesmos.

Os protestos não são uma solução em si mesmos, é óbvio. Serviram para enterrar a famigerada PEC 37 que iria tirar o poder de investigação do Ministério Público, o que já é alguma coisa. Mas principalmente sinalizaram que a era do “pão e circo” deve ficar para trás, para a política clássica romana, que não é essa a política que queremos para o século XXI.

Há mais um detalhe perverso, ainda. Na tradicional cultura do “pão e circo”, o povo tinha direito ao lazer, à alegria. O mais paradoxal desse enorme gasto em elefantes brancos é que o povo não vai poder entrar neles, porque o “padrão Fifa” é caro e elitista, apenas para quem pode pagar. Quer dizer, o governo investe uma fortuna mas ao invés de oferecer circo, tira os estádios – construídos com dinheiro público – do povo, que antes do “padrão Fifa” tinha direito pelo menos a ir numa geral ou “coréia” e gritar pelo seu time, ao vivo. Agora, chega a ser humilhante ver as obras suntuosas do esporte que é a paixão popular, mas da qual o povão acaba de ser excluído.

“Não vai ter Copa” é um meme, não quer dizer que os jogos não vão ocorrer, literalmente. Quer dizer que a Copa imaginada como consagração da velha política vai se voltar contra ela, como já aconteceu durante a Copa das Confederações, a Copa que “não houve”, porque o governo não pode faturar em cima, ao contrário, teve de passar o tempo todo dando explicações. Que venham as seleções, os turistas, que conheçam as belezas naturais do nosso país, que movimentem o comércio, que se apaixonem pelo Brasil e até mesmo que nossa Seleção ganhe a Copa, como já ganhou a das Confederações. Que aconteça tudo isso sem sermos feitos de bobos, achando tudo lindo e gratos ao governo por desviar verbas públicas de coisas mais importantes para nós.

O “pão e circo” acabou, é isso que quer dizer “não vai ter Copa”, que não é contra um governo, é contra um jeito muito antigo de governar.

Montserrat Martins, Colunista do Portal EcoDebate, é Psiquiatra.

 Fonte: EcoDebate
PE: Justiça Federal condena Compesa a restaurar 37 estações de tratamento de esgoto.
Foto: Foto: Guga Matos/JC Imagem

COMPANHIA LANÇAVA ESGOTO BRUTO OU COM TRATAMENTO INADEQUADO EM PELO MENOS DEZ RIOS QUE CORTAM PERNAMBUCO, INCLUINDO O SÃO FRANCISCO.

O juiz federal titular da 2ª Vara Federal, Francisco Alves dos Santos Júnior, condenou a Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa), obrigando-a a restaurar 37 Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) do Estado. O juízo determinou ainda que a companhia deverá realizar as obras em até cinco anos, de acordo com cronograma apresentado pela própria Compesa, sob pena de pagamento de multa diária de R$ 10 mil por cada ETE não recuperada dentro do prazo.

Em 2011, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) entrou com ação contra a Compesa, solicitando que o tratamento de esgoto fosse adequado aos padrões ambientais exigidos pela Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) e pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). De acordo com laudos técnicos do Ibama, os dejetos estavam sendo lançados nos rios e no solo sem nenhum tratamento ou com tratamento deficiente, em rios como o São Francisco, Beberibe, Jiquiá, Timbó, Ipojuca, São Domingos, Una, Paratibe, Morojozinho e Formoso.

Em vistorias realizadas pelo Ibama e pelo CPRH, foram verificadas falta de manutenção nos ETEs Abençoada por Deus, Apipucos, Barra de Jangada, Cabanga, Dom Hélder, Peixinhos, Rio Formoso, Saramandaia, Moreno, Nazaré da Mata, Jardim Planalto, Janga, Jardim Paulista, Jardim Uchôa, Caçote, Mangueira, Engenho do Meio, Roda de Fogo, Cabo de Santo Agostinho, Caruaru I e II, Petrolina Loteamento Recife, Petrolina – Manoel dos Arroz, Petrolina – Cohab IV, Petrolina Cohab VI, Petrolina Porto Fluvial, Petrolina – Rio Corrente, Petrolina – João de Deus, Petrolina – Ouro Preto, Petrolina – Vila Marcela, Praia Grande, Rua do Rio, Parque Capibaribe, Sirinhaém, Vila Buriti II, Vila Cardeal e Vila Felicidade. Em algumas, foi constatado equipamentos imprescindíveis ao tratamento quebrados, como reatores, decantadores e filtros, além do leito de secagem tomado pelo mato.

A Compesa já havia sido oficiada pelo Ibama a prestar esclarecimentos sobre as condições de funcionamento de suas ETEs em 2011, mas não teria respondido aos três ofícios que lhe foram enviados. Um ano antes, em 2010, o Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama) também teria lavrado contra a companhia dois autos de infração, pois foi verificado o despejo de esgoto sem tratamento no bairro do UR-07, Zona Sul do Recife e no bairro do Cedro, em Caruaru.

“A própria Compesa confessa que vem causando danos à natureza, jogando nos rios e mares que banham o Estado de Pernambuco detritos de esgotos sem tratamento, tratamento esse que é obrigada a fazer, para o que recebe a integralidade da receita de uma contribuição social paga pelos pernambucanos, denominada taxa de esgoto”, destacou o magistrado.

Ação Civil Pública nº 0012176-78.2011.4.05.8300

Secretaria do Ambiente do Rio cobra da CSN o cumprimento de 46 ações ambientais


A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Volta Redonda, na região sul fluminense, terá que cumprir 46 ações ambientais, em um prazo de dois anos, determinadas em um novo Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) elaborado pela Secretaria Estadual do Ambiente. Em 2010, a CSN assinara um (TAC) com a secretaria, por meio do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), se comprometendo em cumprir 114 medidas para causar menos impacto ao meio ambiente, inclusive ao Rio Paraíba do Sul, em um prazo de três anos, mas conseguiu colocar em prática 75% do estabelecido.

De acordo com o secretário do Ambiente, Carlos Minc, as ações previstas no TAC são formas de punir a empresa com ações em prol do meio ambiente, e não com multas aleatórias. “A CSN é a maior poluidora do Rio Paraíba do Sul e tem mais de 60 anos. Estava poluindo, nós multando e nada mudando. O TAC representa mudanças tecnológicas que controlam a emissão, tiram a contaminação que ficou no Rio Paraíba, ou seja, não é para pagar um fundo de multa. É mudar a tecnologia para parar de poluir, tanto o pulmão das pessoas como as águas do Rio Paraíba”, disse.

O novo TAC impõe que a CSN cumpra os 25% restantes, que correspondem a 23 ações e mais 23 medidas, que ao longo dos três anos anteriores foram sendo identificadas como necessárias. O gasto determinado pela secretaria é R$ 165 milhões mais o custo, que será calculado pela empresa, da descontaminação de seis áreas próximas à siderúrgica. No primeiro TAC, o gasto determinado pela secretaria foi R$ 250 milhões.

De acordo com o secretário do Ambiente, Carlos Minc, as ações previstas no TAC são formas de punir a empresa com ações em prol do meio ambiente, e não com multas aleatórias. “A CSN é a maior poluidora do Rio Paraíba do Sul e tem mais de 60 anos. Estava poluindo, nós multando e nada mudando. O TAC representa mudanças tecnológicas que controlam a emissão, tiram a contaminação que ficou no Rio Paraíba, ou seja, não é para pagar um fundo de multa. É mudar a tecnologia para parar de poluir, tanto o pulmão das pessoas como as águas do Rio Paraíba”, disse.declarou Minc.

A CSN informou, em nota, que todos os 114 itens do TAC assinado em 2010, foram concluídos ou estão em andamento. Além disto, a siderúrgica se comprometeu com as autoridades ambientais do Rio a investir R$ 165,3 milhões em obras e melhorias na Usina Presidente Vargas nos próximos 24 meses, como previsto no novo TAC.

Edição: Aécio Amado
Matéria da Agência Brasil

Fonte: EcoDebate

terça-feira, 27 de maio de 2014

Moradores atingidos pela enchente de 2011 não vivem clima de Copa em Teresópolis.
Bairro da Posse, em Teresópolis, cidade atingida por forte chuva que provocou enchentes e deslizamentos, deixando centenas de mortos e milhares de desabrigados em janeiro de 2011 Fernando Frazão/Agência Brasil .

Enquanto o clima na região central de Teresópolis é de festa para receber a Seleção Brasileira de Futebol a partir desta segunda-feira (26), em bairros afastados a sensação é de apatia e até revolta. Se a entrada da cidade está decorada com pórtico e bandeiras coloridas, na zona rural a cor predominante é a da poeira e das marcas deixadas pela enxurrada que provocou mais de 900 mortes em toda a região serrana, cerca de 350 só em Teresópolis. Pessoas que perderam tudo nas chuvas de janeiro de 2011, incluindo casa e parentes, reclamam de abandono e dizem que não estão nada entusiasmadas com a Copa.

“Para mim, não tem clima de festa nenhum. Eu perdi minha família quase toda. Perdi minha mulher e minha filha. Minha casa, não ficou um tijolo em pé. Só não morri porque Deus não quis me levar. Mas torcer pela seleção, nós vamos torcer”, disse o cortador de pedras Luiz Cláudio Carvalho dos Santos que, na última sexta-feira (23), cortava à mão uma rocha, fazendo lajotas e paralelepípedos, no que restou do bairro de Campo Grande, o mais afetado na cidade.

Campo Grande foi arrasado por uma cabeça d´água que desceu da serra e destruiu as casas em poucos minutos, deixando dezenas de mortos. Todos os moradores foram posteriormente retirados do local e os imóveis foram condenados e demolidos. Poucas ruínas ainda permanecem em pé, como testemunho da pior tragédia natural da história do país. Dentro de algumas ainda estão restos do que já foi uma residência, com sofá, cama, móveis de cozinha, objetos pessoais e roupas, tudo estragado pela água e pelo tempo.

O difícil para os moradores é esquecer as cenas que viram na noite do dia 11 de janeiro de 2011. O local se parece hoje mais com um bairro fantasma, com poucas pessoas que resistiram em sair. O comércio, que já teve até supermercado, se resumiu a dois bares na beira da estrada.

“Hoje em dia, a gente trabalha para sobreviver, pois não tem quase ninguém. Da minha parte, não tem clima para festa ou Copa. Tem muita gente que não está nem aí para as coisas. Quem mora aqui está abalado até hoje. Antigamente, em época de Copa, isto aqui era tudo enfeitado. Hoje você não vê nada disso, não  tem mais animação. Eu só continuo no comércio para dar assistência às pessoas que ficaram aqui. Seria injusto, da minha parte, não fazer isso”, contou o comerciante Ricardo Cavalcante. Ele chegou a ter três comércios antes da tragédia e atualmente sobrevive com um bar, onde vende bebidas, linguiça frita e alguns mantimentos para os poucos moradores de Campo Grande, cujo único lazer se resume a duas mesas de sinuca.

Outras pessoas perderam, por causa da tragédia, até mesmo o emprego. O técnico de enfermagem Bruno Polderman, que nos dias que se seguiram à enxurrada trabalhou no resgate de feridos e na retirada dos mortos, hoje não consegue trabalho. Por causa da água suja, contraiu uma bactéria que provocou duas feridas profundas em sua perna, hoje transformadas em grandes cicatrizes. “Eles não me encostam. Só que eu não consigo emprego na minha área, por causa das cicatrizes causadas pela bactéria. Minha casa foi condenada, mas nunca me indenizaram”, disse Bruno, que ainda mora no mesmo imóvel: “Eu, particularmente, não quero saber de Copa. Aqui está tudo abandonado. Na cidade fizeram só maquiagem, para agradar os turistas”.

De acordo com a prefeitura de Teresópolis, entre agosto e setembro deste ano serão entregues as primeiras 250 casas para os desabrigados de 2011, devendo chegar a 700 unidades até dezembro deste ano. A meta é, até 2015, entregar um total de 1.600 residências. A maioria dos atingidos recebeu indenização ou continua recebendo aluguel social.

Medo da crise energética têm favorecido investimentos na energia solar, dizem especialistas.
A falta de chuvas despertou no Brasil o temor de que se repita a crise energética de 2001, quando um apagão causou prejuízos para a economia e inconvenientes a todos os brasileiros.
Nesses 13 anos, o País investiu na interligação do sistema energético, o que até agora tem conseguido evitar a crise. No entanto, só interligar não basta para dar segurança a um sistema extremamente dependente da geração hidrelétrica. É preciso diversificar a matriz energética, o que significa investir em outros tipos de geração de energia. Por isso tem se fortalecido a ideia de investir na geração de energia a partir de um recurso natural que o Brasil tem de sobra: o sol.

Tem aumentado o investimento particular no aproveitamento da energia solar – já que neste país tropical o sol está presente todos os meses do ano, em todo o território brasileiro.

Capacidade instalada

No entanto, de acordo com o Ministério de Minas e Energia, em 31 de dezembro de 2013, o Brasil apresentava uma capacidade instalada de 126.755 MW. Em termos de fontes de energia, essa capacidade distribui-se em: 86.019 MW de hidrelétricas; 38.529 MW de termelétricas; 2.202 MW de eólicas; 5 MW de solar fotovoltaica. Ou seja, a energia solar representa menos de 0,005% da capacidade instalada.

É da força dos rios, das grandes e pequenas hidrelétricas brasileiras, que vem 68% da energia elétrica consumida no Brasil. Uma fonte de energia renovável, ecológica, que põe o Brasil em vantagem na comparação com outros países dependentes de recursos finitos, como o petróleo. A fonte de energia limpa depende, no entanto, das condições do clima. Em um ano de poucas chuvas, o temor de uma crise no sistema é real, como explica o consultor legislativo Fausto de Paula Menezes Bandeira. “Estamos em um momento delicado, é cíclico. São ciclos de mais ou menos sete anos. O país é riquíssimo muito privilegiado em irradiação.”

Para o especialista, é mais seguro diversificar, mas ele admite que para a energia solar, “ainda estamos nos primeiros passos.” E acrescenta que “além de usos mais baratos, também deve se diversificar com a eólica e a biomassa.”

Custo dos investimentos

O custo do investimento é um dos entraves para o desenvolvimento da produção de energia solar no País. As placas fotovoltaicas não são produzidas no Brasil e, por isso, são caras. Outro desafio: mudar a legislação tributária de estados e municípios que hoje continuam cobrando Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre toda a energia consumida pela casa – incluindo a gerada pelo próprio morador.

Também faltam incentivos, como linhas de crédito específicas para o consumidor equipar a casa com as placas.

Para o deputado Antônio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP), o Brasil demora demais para tomar iniciativas que, segundo ele, são simples.

Em resposta à crítica sobre a demora em investir no setor, o secretário de Planejamento de Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura, explica que a energia solar não era competitiva. Até que inovações tecnológicas baratearam muito esta alternativa de geração energética.

Usina de placas solares

Em três anos, o preço do megawatt/hora caiu de mil para R$ 200. Embora ainda seja mais cara que a hidrelétrica e a eólica, a energia solar agora está na mira do governo, que prepara um leilão para a construção da primeira usina brasileira de geração de energia com placas fotovoltaicas. “Podemos dizer que ao longo de 2014 vamos levar à frente o leilão para que fabricantes se instalem no Brasil para que a energia solar seja instalada de maneira estável, sustentável como aconteceu com a energia eólica.”

O coordenador da Frente Parlamentar em Defesa das Pequenas Centrais Hidrelétricas, Pedro Uczai (PT-SC), acredita que o leilão pode ser o primeiro passo para mais investimentos em tecnologia no setor. ”O governo está abrindo possibilidade agora de um leilão com uma nova legislação para que possa vender energia e receber em moeda corrente. Criar um fundo nacional e efetivamente destinar parte recursos para investimento em ciência e tecnologia.”

Com o leilão, o governo espera também que empresas produtoras das placas fotovoltaicas, que investem em pesquisas com silício, passem a produzir no país – o que promete baratear o sistema.

Na opinião do presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, embora a geração de energia solar ainda não seja competitiva atualmente, assim como a geração de energia eólica se tornou comercialmente viável, isso deve ocorrer também com a solar.

Projeto na Câmara

Tramita na Câmara o Projeto de Lei 5539/13, do deputado Júlio Campos (DEM-MT), que concede incentivos fiscais à instalação de usinas de produção de energia com a utilização de fontes solar ou eólica. A proposta desonera do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e do Imposto de Importação (II) os bens de capital e o material de construção utilizados para a implantação desse tipo de atividade.

Reportagem – Carolina Nogueira
Edição – Regina Céli Assumpção

Mosquitos transgênicos aqui de Juazeiro, artigo de Roberto Malvezzi (Gogó).
Foto: Moscamed / DW

Está sendo divulgado em nível nacional, como absoluto sucesso, a soltura de mosquitos transgênicos do Aedes Aegypti, como forma de combate à dengue, aqui na cidade de Juazeiro da Bahia. Os números dizem que no “bairro de Mandacaru a incidência da dengue caiu 90%”. No bairro do Itaberaba também.

Em primeiro, Mandacaru é um distrito de irrigação, está afastado do centro urbano de Juazeiro. Itaberaba é dos muitos bairros pobres e insalubres da cidade, para onde vieram milhares de trabalhadores da cana e da fruticultura irrigada.

O caso tem sido comentado em nível mundial porque a soltura dos mosquitos – aqui trabalho feito pela Moscamed, mas que traz a larva da empresa britânica Oxitec – foi feito sem os cuidados da precaução. O macho é geneticamente modificado em laboratório, copula com a fêmea e as larvas dessa fêmea morrem. É bom lembrar que as primeiras experiências foram feitas em regiões do Caribe e aqui agora nas periferias de Juazeiro. Portanto, lugares pobres e de terceiro mundo. Enfim, somos cobaias dessa experiência.

O caso já foi dado como sucesso e a CTNBio já liberou a experiência para todo território nacional.

Eu que sou morador da cidade – imagino que também muitos outros cidadãos juazeirenses – estou me perguntando se essa experiência pode mesmo ser considerada o sucesso propalado.

Nunca tivemos tantos mosquitos na cidade – e olha que sempre tivemos em nuvens – como estamos tendo agora. Nas manifestações de julho do ano passado a massa que subiu a ponte que une Juazeiro à Petrolina carregava mosquiteiros na cabeça para protestar contra a praga que devora a cidade. Alguns bares abertos colocaram mosquiteiros nas mesas para que as pessoas pudessem sentar-se ali e beber sua cerveja. Uma pizzaria da cidade, também com um espaço aberto, oferece repelentes para os fregueses passarem no corpo e assim poderem comer suas pizzas em paz.

Será que a solução está mesmo na transgenia? Ou é o saneamento? Como não ter mosquito numa cidade que não tem saneamento básico, cujos bairros com até 30 mil pessoas tem o esgoto correndo a céu aberto? Claro que precisamos nos livrar da dengue, mas ela não é o único problema da cidade, já que existem uma quantidade enorme de outros mosquitos – muriçoca, muruin, etc. – que fazem um inferno em nossas casas e nos espaço públicos.

Nem vamos falar do impacto da transgenia na natureza. Será mesmo que a proliferação dos outros mosquitos na cidade nada tem a ver com a soltura do Aedes transgênico ? E os demais possíveis desequilíbrios ambientais foram efetivamente avaliados?

Enfim, seria preciso muito mais cuidado e ampliação do leque de informações, da situação como um todo, para que a CNTBIO decidisse o que já decidiu. Isso é muito bom para empresas, para o poder público que pode lavar as mãos diante do inferno que é viver numa nuvem de mosquitos numa cidade sem saneamento. Para o povo, a solução ainda está por vir.

Roberto Malvezzi (Gogó), Articulista do Portal EcoDebate, possui formação em Filosofia, Teologia e Estudos Sociais. Atua na Equipe CPP/CPT do São Francisco.

Fonte: EcoDebate

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Justiça do Mato Grosso suspende licença prévia da Usina Hidrelétrica São Manoel, no Rio Teles Pires.
Mapa por Telma Monteiro, no Correio da Cidadania

 A Justiça Federal do Mato Grosso suspendeu o licenciamento da Usina Hidrelétrica São Manoel, no Rio Teles Pires. O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) deve suspender a licença prévia que concedeu ao empreendimento, sob pena de multa de R$ 500 mil, de acordo com a liminar pedida pelo Ministério Público Federal (MPF).

Em sua decisão, o juiz Ilan Presser, da 1ª Vara de Cuiabá, aponta que os estudos de impacto ambiental da usina mostram que a obra atingirá as terras indígenas Munduruku, Kayabi e Apiaká do Pontal. Nesta vivem indígenas que optaram pelo isolamento voluntário como estratégia de sobrevivência, “É inadmissível a imposição da aceleração de um procedimento complexo de licenciamento, que ignore os impactos socioambientais sobre as comunidades com povos indígenas isolados”, avalia o juiz.

A Justiça também chamou a atenção para o fato de que não se trata de apenas uma usina, mas de um conjunto de empreendimentos que podem mudar a região inteira. O complexo hidrelétrico do Rio Teles Pires prevê sete barragens.

Extremos climáticos antecipam previsões iniciais do IPCC, diz Carlos Nobre, secretário do MCTI.

Em audiência pública do Senado Federal na última terça-feira (13), o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Carlos Nobre, reforçou a importância das ações na área de adaptação, diante do cenário de eventos climáticos extremos cada vez mais intensos e frequentes. A reunião teve como pauta a adaptação brasileira às mudanças climáticas e as medidas para financiar e diminuir a vulnerabilidade às secas e às enchentes.

Ao comparar relatórios do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), desde a primeira edição, em 1990 – quando, pontuou ele, o conhecimento sobre o tema era consideravelmente pequeno – o climatologista lembrou que, mesmo naquela época, o documento chamava a atenção para a ocorrência de “surpresas”, diante da perturbação ocasionada ao sistema global planetário aos níveis de 20 a 50 milhões de anos atrás.

“Não há precedentes na história da Terra de se alterar o balanço de radiação na atmosfera – que é o que os gases de efeito estufa fazem – numa taxa tão rápida”, disse, na sessão da Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas.

Para o especialista, apesar dos avanços da ciência, a consequência dessa perturbação é um experimento desconhecido e é impossível obter previsões absolutas. O certo, na sua avaliação, é que o regime de estabilidade que permitiu o surgimento da agricultura e o agrupamento de populações humanas nos últimos 12 mil anos está ameaçado. “Toda a civilização que nós conhecemos nos últimos 10 mil anos dependeu da agricultura que dependeu dessa estabilidade climática”, sublinhou.

Celeridade

Apesar das incertezas quanto às projeções, Nobre ressaltou que as observações dos últimos anos mostraram que os impactos estão acontecendo com mais celeridade do que se imaginava. Há 20 anos, explicou o pesquisador, as previsões eram de que os extremos climáticos começariam a ficar muito intensos e mais frequentes a partir de 2040 ou no século 22.

Nesse sentido, Carlos Nobre citou o lançamento de dois estudos na agência espacial norte-americana (Nasa), nesta segunda-feira (18), que trazem novas previsões para a Antártica Ocidental, considerada há dez anos como um dos lugares mais estáveis do mundo. Os estudos desafiam esse postulado dos grandes mantos de gelo estáveis ao mostrar a instabilidade e a possibilidade de esses blocos caírem no oceano numa escala de tempo de 200 a 300 anos.

“Isso pode representar o aumento do nível do mar de alguns metros. Essas são as surpresas das quais não se falava há 20 anos”, comentou. “De fato, a manifestação dos extremos climáticos, principalmente aqueles decorrentes da mudança climática e do aquecimento global, estão se manifestando. Esse é um aspecto muito importante que deve nortear o debate sobre adaptação”, defendeu.

O climatologista destacou, ainda, eventos extremos históricos registrados recentemente no Brasil num intervalo de cerca de 120 anos. No caso do Nordeste, duas secas consecutivas – em 2012 e em 2013. “Então esse é um extremo e todos os cenários climáticos disponíveis hoje indicam que no futuro, talvez o futuro já tenha chegado, as secas no Semiárido se tornarão mais intensas e mais frequentes.”

Na Amazônia, entre 2005 e 2014, foram registradas duas secas históricas e as três maiores enchentes em 2009, 2012 e 2004. “O IPCC no seu relatório, lançado em março, diz que o regime da Amazônia está alterado e isso é devido às mudanças climáticas. Então a região tem que se preparar para conviver com essa situação”, frisou.

Estratégia

Para Nobre, se as mudanças climáticas estão acontecendo mais rapidamente, é preciso também mudar a estratégia de adaptação tendo como foco políticas públicas – especialmente no Brasil, onde a discussão ficou muito centrada em mitigação, inclusive com protagonismo e avanços a partir da redução do desmatamento. Por outro lado, a ciência brasileira, comentou, tem dado a sua contribuição. Como exemplo, ele lembrou a criação da Rede Clima, em 2008, pelo MCTI. “A rede, que agrega todos os aspectos de mudanças climáticas, foi muito na direção de adaptação”.

Participaram do debate o presidente da comissão mista do Senado, Alfredo Sirkis (PSD-RJ), e os representantes do Ministério do Meio Ambiente, Thiago Mendes, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Gustavo Mozzer, e da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Sergio Margulis.

Texto: Denise Coelho, MCTI


Fonte: EcoDebate
Mais de mil espécies da fauna brasileira correm risco de extinção.
O inventário analisou mais de 7,6 mil espécies, entre 2010 e 2014. Foto:Wilson Dias/Agência Brasil.

Em comemoração ao Dia Internacional da Biodiversidade, ontem (22), o Ministério do Meio Ambiente apresentou o inventário da fauna brasileira, onde foram analisadas mais de 7,6 mil espécies, entre 2010 e 2014. Na Avaliação do Risco de Extinção da Fauna Brasileira, realizada por 929 especialistas do Brasil e do mundo, 14% das espécies, 1.051 do total, ainda estão em risco de extinção, sendo 121 com risco agravado.

Entre as espécies ameaçadas, 73% estão sob regime de proteção, em unidades de Conservação ou dentro de um Plano de Ação Nacional. Para o presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Roberto Vizentin, não há dúvida que a criação de unidades de conservação é uma medida necessária para proteger as espécies “em uma realidade como a brasileira, em que a dinâmica de ocupação dos habitats naturais é muito intensa”.

Para reforçar o trabalho dentro dessas unidades, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, assinou portaria que permite a aplicação de recursos de compensação ambiental, em até 10%, em atividades para a conservação de espécies ameaçadas. “Saímos de 1.022 para mais de 7 mil espécies inventariadas e nós queremos 14 ou 15 mil nesse catálogo, para isso precismos ter estratégia de médio e longo prazo, de redes de pesquisa de áreas prioritárias, como também recursos para serem dirigidas. Então estamos vinculando às unidades de conservação recursos com vistas à pesquisa e proteção dessas espécies”, afirmou.

A ministra anunciou a retirada de 77 espécies da lista de espécies ameaçadas de extinção, que será publicada pelo ICMBio, no segundo semestre deste ano. Uma dessas espécies,  a baleia jubarte.

Segundo Izabella Teixeira, um conjunto de ações permitiram a saída da jubarte da lista, como “a visão de longo prazo com a estratégia de aumentar a proteção dos animais, de proibir a captura, somados ao grande programa de conservação feito pelo Instituto Baleia Jubarte, de estudar o comportamento da espécie, mapear as rotas migratórias e estabelecer, nestas áreas, medidas de manejo e conservação.”

O governo brasileiro também anunciou uma campanha mundial pela criação do Santuário Internacional do Atlântico Sul para as Baleias. A proposta será avaliada em setembro pela Comissão Baleeira Internacional e tem o objetivo de impedir a caça comercial nessa área do oceano, onde ainda vigora a moratória internacional sobre a captura desses animais.

Além disso, o ministério apresentou um conjunto de medidas destinadas a proteger toda a fauna brasileira, como a criação de uma força tarefa especial dedicada ao combate ao tráfico ilegal das espécies ameaçadas de extinção. Segundo Izabella Teixeira, o Ibama, ICMBio, a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal já estão realizando ações, de caráter permanente, em torno de espécies como o peixe-boi da Amazônia, boto-cor-de-rosa, arara-azul-de-lear, onça-pintada e o tatu-bola.

Também foi foram anunciadas a criação do Prêmio Nacional da Biodiversidade, editado anualmente, a Bolsa Verde para comunidades que vivem em regiões relevantes para conservação de espécies ameaçadas, a reintrodução do peixe-boi-marinho no Caribe e acordos com os ministérios da Pesca e Aquicultura e da Ciência, Tecnologia e Inovação.

domingo, 25 de maio de 2014

Mais de 20 mil famílias foram removidas nos últimos quatro anos no Rio.

Foto: EBC

As obras de mobilidade prometidas para a Copa do Mundo deste ano levaram à remoção de milhares de famílias no Rio de Janeiro. Dossiê divulgado pelo Comitê Popular Rio Copa e Olimpíadas, em 2013, apontava que ao menos 8 mil famílias estavam ameaçadas de remoção em função de obras de infraestrutura para o Mundial.

A comunidade Metrô-Mangueira, que ficava a menos de 1 quilômetro do Maracanã, foi uma das que foram retiradas. Ex-moradora do local, Dalva Martins, 67 anos, diz que agora não tem para onde ir.

“Eles demoliram a casa da amiga ali, está tudo no chão, não esperaram nem tirar as coisas de dentro. Eu tenho seis netos que eu crio, tenho um recém-nascido, uma criança especial, onde eu vou morar? Pra onde que eu vou?”

Apesar da acusação do comitê de que a cidade passa por um processo de especulação imobiliária e “higienização” de áreas turísticas, o sub-prefeito da zona norte, André Santos, negou que a retirada das famílias tenha relação com a proximidade do Maracanã.

“Nenhuma relação, é um projeto já iniciado há bastante tempo, nós vamos construir o polo automotivo, que já tem decreto. Não vai ficar pronto para a Copa do Mundo, então não tem nada a ver com a Copa”.

Integrante do Comitê Popular e pesquisador do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Orlando Junior afirma ser clara a intenção de, com a remoção, tirar dos olhos dos turistas as comunidades pobres.

“O processo de remoção da comunidade do Metrô-Mangueira tem relação direta com esse processo de mercantilização da cidade, de elitização da cidade”, destacou.

De acordo com a prefeitura, 20,3 mil famílias foram removidas entre janeiro de 2009 e dezembro de 2013. Desse total, 9,3 mil estão em imóveis do Minha Casa, Minha Vida, 5 mil recebem aluguel social e 6 mil foram indenizadas. A prefeitura reconhece que 1.720 deixaram as casas em função de obras, o restante, segundo o órgão, estava em locais de risco.

O Comitê Popular afirma que a maioria das remoções ocorreu em áreas de extrema valorização imobiliária. Segundo Orlando Junior, o novo local de moradia das famílias também é um problema.

“Muitas famílias têm sido removidas para a zona oeste do Rio de Janeiro: Campo Grande, Vila Cosmos. A infraestrutura urbana destes conjuntos para onde parte das famílias tem sido removidas é bastante precária, o acesso a supermercado, rede escolar, mobilidade, é um processo de remoção para áreas sem estrutura para estas famílias, desde saneamento básico até rede escolar.”

Dois dos bairros que receberam famílias removidas, Cosmos e Campo Grande, não têm indicadores promissores. De acordo com Censo de 2010 do IBGE, Cosmos ocupa 117ª posição quando o assunto é alfabetização e Campo Grande a 88ª posição, em um total de 180 bairros da cidade.

O projeto que deu origem a esta reportagem foi vencedor da Categoria Rádio do 7º Concurso Tim Lopes de Jornalismo Investigativo, realizado pela Andi, Childhood Brasil e pelo Fundo das Nações Unidos para a Infância (Unicef).

Fonte: EBC
MG: comerciante é denunciado por comércio ilegal de aves silvestres.
Ele foi preso transportando 99 papagaios e 17 araras acondicionados em péssimas condições. Dois animais morreram em decorrência dos maus tratos.

O Ministério Público Federal em Minas Gerais (MPF/PGR) denunciou o comerciante Válter Nélio Eymael Júnior por comercialização ilegal de animais da fauna brasileira e maus tratos a animais.

Em outubro de 2011, por volta das três da madrugada, policiais militares, durante patrulhamento na avenida Marechal Floriano Peixoto, no município de Congonhas/MG, abordaram um veículo que trafegava na contramão e flagraram o acusado transportando 116 pássaros da fauna silvestre brasileira ameaçados de extinção, todos sem qualquer autorização, licença ou permissão da autoridade competente.

Acondicionados em péssimas condições, havia 98 papagaios verdadeiros, 1 papagaio galego, 15 araras Canindé e 2 araras vermelhas. Algumas caixas continham até 22 pássaros cada uma, todos eles famintos, já com sinais clínicos de desidratação, e vários deles hipotérmicos. Duas espécimes, um Amazona a estiva e Ara ararauna vieram a falecer.

Os animais apreendidos foram encaminhados ao Ibama, onde foram realizados os trabalhos de avaliação e identificação científica.

Durante o interrogatório policial, o acusado, residente na cidade de Magé (RJ), confessou a prática do crime. Disse ter adquirido as aves na cidade de Montes Claros, norte de Minas Gerais, e que iria transportá-las até a capital do estado do Rio de Janeiro.

As investigações acabaram descobrindo que Válter Eymael Júnior já fora preso anteriormente por duas ou mais vezes, de 2007 a 2009, por crimes da mesma natureza. Ele próprio admitiu que comprou e vendeu pássaros por um período de 4 a 5 anos e que já respondeu a processo judicial pelo mesmo delito. Havia inclusive um mandado de prisão em aberto contra ele.

A pena para o crime de comércio ilegal de aves da fauna brasileira ameaçadas de extinção vai de 9 meses a 1 ano e meio de prisão. A pena para o crime de maus tratos vai de 3 meses a 1 ano, podendo ser aumentada de 1/6 a 1/3 quando ocorrer morte do animal.

O acusado também estará sujeito a eventual responsabilização civil, como o cumprimento de medidas de compensação ambiental.

MPF denuncia quatro pessoas por manterem 51 trabalhadores em condição análoga à de escravidão em Americana, SP.
Vítimas confeccionavam peças de roupa da marca espanhola Zara; elas eram submetidas a jornadas de 14 horas e condições degradantes de trabalho, alimentação e moradia.

O Ministério Público Federal em Piracicaba (MPF/SP) denunciou quatro pessoas por manterem 51 trabalhadores em condições análogas às de escravos em uma oficina de costura em Americana, no interior de São Paulo. Entre as vítimas estavam 45 bolivianos, dos quais 13 viviam em situação irregular no Brasil.

A lista de denunciados inclui o boliviano Narciso Atahuichy Choque, dono da confecção onde os empregados foram resgatados, e as brasileiras Rosangila Theodoro, Sonia Aparecida Campanholo e Silva Regina Fernandes Ribeiro da Costa, respectivamente sócia e funcionárias da Rhodes Confecções Ltda.

O caso foi descoberto durante operação do Ministério do Trabalho e Emprego entre maio e agosto de 2011. Na ocasião, constatou-se que diversos desses trabalhadores se dedicavam à confecção de peças de vestuário da marca Zara, encomendadas pela Rhodes. A empresa funcionava como fornecedora direta da grife espanhola, mas, como não possuía capacidade produtiva para atender à demanda, repassava as encomendas recebidas para outras confecções, como a do boliviano.

Para o MPF, as brasileiras tinham conhecimento da situação vivida pelos trabalhadores, mas fecharam os olhos para as irregularidades visando baratear as peças. De acordo com a denúncia, tanto Sonia quanto Silvia faziam visitas frequentes à oficina para vistoriar a produção, e Rosangila, apesar de ter afirmado desconhecer as condições de trabalho no local, tinha ciência da utilização de mão de obra barata ao contratar empresas sem idoneidade econômica, como a do denunciado.

Crimes – Os empregados eram submetidos a jornadas exaustivas de até 14 horas diárias e a condições degradantes de trabalho. Diversos direitos assegurados pela legislação trabalhista eram ignorados, como o registro em carteira, fornecimento de equipamento de segurança e o descanso mínimo durante a jornada. Além disso, no caso dos estrangeiros, os três primeiros salários eram retidos indevidamente para a quitação das dívidas adquiridas com transporte e alimentação no trajeto da Bolívia para o Brasil.

A oficina funcionava também como alojamento dos trabalhadores e as instalações eram insalubres. Segundo a denúncia, havia quartos sem ventilação, alimentos armazenados no chão e banheiros em mau estado de conservação e limpeza. No local ainda moravam três menores, sendo dois bebês.

Durante a operação do Ministério do Trabalho, o imóvel foi interditado devido às más condições de higiene e ameaças à segurança dos trabalhadores. A fiscalização constatou perigo de choque elétrico, incêndio, explosão e até risco de morte por asfixia em caso de vazamento de gás, por conta da grande quantidade de material inflamável, instalações elétricas improvisadas, extintores de incêndio vencidos e falta de ventilação.

Além disso, Narciso Choque restringia a liberdade de locomoção dos trabalhadores bolivianos por causa das dívidas adquiridas com as despesas da viagem para o Brasil, que eram pagas por ele. De acordo com a denúncia, o único portão de entrada do alojamento permanecia fechado com cadeado e nenhum dos trabalhadores consultados pela equipe de fiscalização possuía a chave.

O boliviano e as três brasileiras foram denunciados nos artigos 149, por reduzir alguém a condição análoga à de escravo, e 203, por frustrar direito assegurado pela legislação do trabalho, ambos do Código Penal. O número do inquérito para acompanhamento processual é 0001164-18.2014.4.03.6134.