sexta-feira, 4 de abril de 2014

Brasil continua em último no ranking de retorno de tributos em serviços à população.
Charge de Giancarlo para o Humor Político

Pelo quinto ano seguido, o Brasil ficou na última posição do ranking de retorno de tributos à população. Segundo estudo divulgado ontem (3) pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), o país é o que menos retorna serviços públicos de qualidade em relação a impostos, contribuições e taxas arrecadadas.

O levantamento comparou 30 países e verificou o bem-estar da população, medido pelo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), em relação à carga tributária – proporção dos tributos sobre o Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas no país). O Brasil ficou em 30º, atrás de vizinhos como Uruguai (13º) e Argentina (24º).

Os dados sobre a carga tributária são da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), e o ranking do IDH é das Nações Unidas, que trabalharam, nos dois casos, sobre números de 2012, que são os mais recentes.

Estados Unidos, Austrália e Coreia do Sul ocuparam as primeiras colocações, sem mudança em relação ao ranking anterior. As maiores variações foram registradas pelo Japão, que caiu de quarto para sexto, e Bélgica, que saltou de 25º para oitavo, porque reduziu a carga tributária de 44% para 30% do PIB e manteve a qualidade dos serviços públicos.

No Brasil, a carga tributária correspondeu a 36,27% do PIB em 2012, segundo o IBPT. O número é superior aos dados oficiais da Receita Federal – 35,85% em 2012 – porque o IBPT considera o pagamento de juros, multas, correções e custas judiciais de dívidas de contribuintes com o setor público. A carga tributária de 2013 só será divulgada no fim de 2014.

De acordo com o IBPT, o indicador de retorno equivale à média ponderada entre a carga tributária e o IDH de cada país. O instituto atribuiu peso de 15% para a carga tributária e 85% para o IDH. Para o instituto, o Brasil só melhorará no ranking se aplicar os recursos pagos pelos contribuintes com mais eficiência. Por meio da assessoria de imprensa, a Receita Federal informou que não comentará o estudo.

Clique aqui e faça o download do estudo na íntegra.

Chevron e os danos socioambientais no Equador: crime sem castigo, por Luiz Eça.
Resíduos da Chevron no Equador. Foto do CUBADEBATE

A Chevron acaba de ganhar um processo nos EUA contra 30 mil indígenas e sitiantes do Equador. Eles pleiteavam uma indenização por catástrofe ambiental provocada pela gigantesca petrolífera, uma das maiores do mundo.

Que envenenou toda a água de uma região e causou efeitos destruidores em extensas áreas da floresta amazônica, a maior reserva de oxigênio do planeta.

Tudo começou assim. Entre 1964 e 1992, a Chevron explorou petróleo na região de Oriente, no leste da Amazônia equatoriana.

Depois se retirou, levando consigo bilhões de lucros, e deixando derramados no solo um legado de 18 bilhões de galões de resíduos tóxicos, contendo hidrocarboneto aromático policíclico, em níveis muitas vezes mais alto do que o permitido nos EUA.

Com isso, toda a água da região foi contaminada, aumentando em 150% as chances das pessoas de contraírem câncer, além de causar graves doenças e outros problemas de saúde nos atuais moradores e até nas próximas gerações.

Relata a ONG Friends of The Forest: “Morte, abortos e defeitos de nascimento se espalham pelas comunidades, ameaçando alguns grupos indígenas de extinção. A destruição do meio ambiente das florestas foi devastadora”.

Desde 1993, advogados de moradores das áreas afetadas abriram processos contra a Chevron, exigindo que limpasse a sujeira provocada e reparasse os danos causados à saúde das pessoas.

Em 1995, a empresa concordou, em parte. No entanto, a limpeza que fez foi meramente cosmética. Limitou-se a cobrir de lixo fossas de petróleo usadas pela companhia para armazenar permanentemente detritos de petróleo e de produtos químicos, que acabavam penetrando nos suprimentos subterrâneos de água.

O processo prosseguiu e, em 2011, uma corte de justiça equatoriana decidiu a favor dos querelantes, condenando a Chevron a lhes pagar 19 bilhões de dólares.

Houve recursos e a corte superior reduziu as indenizações a 9,5 bilhões de dólares. Mas os pobres índios e sitiantes não receberam nada.

A Chevron já havia se mudado do Equador, não deixou quaisquer recursos para cumprir a sentença a que fora condenada.

A solução seria processá-la nos EUA e outros países, onde ela opera. Começaram por New York, onde ficavam seus escritórios centrais. Um acordo sequer foi tentado.

Em entrevista à revista New Yorker, diretores da Chevron afastaram esta possibilidade: “Nós lutaremos até mesmo se o inferno congelar. E, se isso acontecer, lutaremos no gelo”.

A gigantesca multinacional convocou um time de 60 firmas de advogados para defender sua causa.

Eles alegaram que a Chevron era a vítima, não os 30 mil moradores da floresta, que estariam tentando enganar a justiça com acusações falsas.

Os pobres equatorianos, junto com seu advogado, Steven Donziger, foram acusados de promover uma extorsão contra a Chevron.

A empresa apelou para o estatuto RICO – criado originalmente para processar sindicatos do crime organizado.

Apresentou provas de que um dos juízes equatorianos teria sido subornado por alguém ligado à causa das comunidades atingidas.

O SF Gate – blog de San Francisco (em 23/2/2014) – lembrou memorando que, em 2008, Sam Singer – um expert em gerenciamento de crises – enviou ao executivo da Chevron, Ken Robertson. Aconselhava a Chevron a acusar o judiciário equatoriano de corrupto e montar um ataque contra os indígenas e sitiantes e seus advogados. O que foi feito.

A Chevron apresentou depoimentos de um ex-juiz do Equador, narrando o suborno de um dos juízes do processo para dar ganho de causa aos querelantes.

Essa figura, Alberto Guerra, a testemunha-chave da argumentação em favor da Chevron, acabou admitindo que a “Chevron pagou 48 mil dólares por evidências físicas do suborno e para pagar despesas de viagem dele e de sua família… despesas de advogado…  e comprometeu-se a lhe pagar 12 mil dólares mensais, durante 2 anos, para suas despesas nos EUA”.

Muito em função do que essa testemunha relatou, o juiz Kaplan considerou desnecessário examinar todos os pareceres científicos dos danos causados ao povo e ao ambiente da floresta amazônica leste. E proibiu que fossem apresentados no julgamento pelo advogado dos 30 mil prejudicados.

Esqueceu-se de que os advogados da Chevron violaram lei federal ao pagarem pelo depoimento de uma testemunha e, especialmente, ao subornarem o ex-juiz Alberto Guerra para depor a seu favor.

Pelo princípio de que a árvore doente contamina os seus galhos, tudo apresentado com base no que foi obtido ilegalmente teria de ser desconsiderado.

Mas Kaplan considerou a Chevron inocente.

Para muitos advogados que acompanharam o processo, o juiz estava predisposto contra os autores do processo.

Tentou mesmo decidir de forma definitiva, excluindo a possibilidade de recurso a instâncias superiores, o que, porém, foi recusado.

Os 30 mil pobres equatorianos, sob ameaça do câncer e mortes prematuras, e comunidades indígenas condenadas a desaparecer por abortos, mortes de nascituros e crianças defeituosas, perderam esta batalha.

Mas não a guerra. Há recursos na justiça norte-americana e processos em andamento no Brasil, Canadá e México, onde a Chevron tem negócios e consideráveis ativos.

A lei tarda, mas não falha. Vamos ver se é verdade.

Leia também:


Luiz Eça é jornalista.


Cientista afirma que mudança climática afeta várias partes do Brasil.
Declaração é de co-autor do 5º Relatório de avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Norte, nordeste e sudeste brasileiro sofrem com secas. Ouça a matéria da Rádio ONU em português. Felipe Siston, do Rio de Janeiro para a Rádio ONU em português.
À direita, o chefe do Centro de Ciência do Sistema Terrestre do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, José Marengo. Foto: UNIC Rio/Diogo Cysne

Um cientista alertou nesta terça-feira (1) que a mudança climática afeta várias regiões do Brasil. No nordeste e no sudeste o problema principal é a seca.

A afirmação foi feita pelo chefe do Centro de Ciência do Sistema Terrestre do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, José Marengo.

Em evento no Rio de Janeiro, Marengo apresentou um resumo de 30 páginas que foi produzido para orientar gestores em relação ao problema ambiental. Ele é co-autor do 5º Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC).
“O que este relatório está tentando demonstrar agora é basicamente todas as bases científicas para que sejam consideradas na próxima conferência das partes que vai ocorrer agora em Lima e no próximo ano lá em Paris. Esta é a ideia, que toda a ciência que está sendo produzida seja utilizada pelos políticos. Se os políticos não usam essa ciência, então realmente a gente está perdendo tempo.”

Participaram também do lançamento especialistas envolvidos na produção do relatório do IPCC.

Impactos no Brasil

Marengo falou dos impactos sobre o território brasileiro. Para ele, a dimensão continental do Brasil faz com que o país seja afetado de diferentes formas.

“Socialmente o nordeste é muito vulnerável, ecologicamente a Amazônia é uma área muito vulnerável. Na parte hídrica o sudeste e o nordeste são vulneráveis à escassez de água, com riscos à irrigação e à geração de energia.

Sobre as áreas costeiras do nordeste e sul do Brasil, o cientista chamou a atenção para a ocorrência de fenômenos como o branqueamento de corais, provocado por alterações de temperaturas nos mares.
Com apoio do UNIC Rio, lançamento aconteceu na Academia Brasileira de Ciências (ABC), no Rio. Foto: UNIC Rio/Diogo Cysne

Ele também mencionou que os políticos devem estar preparados, especialmente nas cidades de Santos e do Rio de Janeiro, para os custos que a elevação do nível do mar pode causar às estruturas portuárias.

“Não existe uma fórmula mágica de adaptação. Se a Argentina desenvolve toda uma estratégia de agricultura para eles, isso não pode ser aplicado na Índia ou no Brasil. Cada lugar tem que desenvolver sua própria estratégia de adaptação territorial. Pode-se falar da adaptação da agricultura, da adaptação social, da saúde. Isso envolve fatores que não são climáticos, como a vacinação, como o crédito agropecuário.”

Amazônia

No caso da Amazônia, o cientista explicou que houve uma mudança de modelo utilizado pelo Painel.

Os cientistas descobriram que o bioma da região é mais resistente do que se esperava. Os impactos previstos no 4° Relatório do IPCC foram reavaliados.

Ele disse que “os resultados novos mostram que de fato a floresta pode ser comprometida, mas não chegaria tão longe a mudar de vegetação. Não passaria a ser savana, poderia ser talvez uma floresta mais secundária”.

(Apresentação: Mônica Villela Grayley com reportagem do UNIC Rio)
Fonte: ONU Brasil

quinta-feira, 3 de abril de 2014

LINDBERG FARIAS E O DIA DA MENTIRA

Recém-aprovado pela Câmara, marco civil da internet já gera interpretações diversas.
Artigo sobre neutralidade da rede é entendido de forma diferente por empresas de telefonia e associações da sociedade civil.

Logo após ser aprovada pela Câmara dos Deputados, na última terça-feira (25), a proposta de marco civil da internet já começou a gerar interpretações diversas, no artigo que garante a neutralidade da rede. Empresas de telefonia, associação de consumidores e entidades da sociedade civil têm entendimentos diversos sobre o princípio, segundo o qual todo o pacote de dados que trafega na internet deve ser tratado de forma igual, sem discriminação quanto ao conteúdo, origem, destino, serviço, terminal ou aplicativo.

Considerado durante os dois anos e meio de tramitação da matéria na Câmara como o principal opositor da matéria, o Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (SindiTelebrasil) divulgou nota, na terça à noite, declarando ter recebido de forma positiva a aprovação do projeto pela Câmara, na medida em que o texto assegura “que seja dada continuidade aos planos existentes e garante a liberdade de oferta de serviços diversificados”. Segundo a nota, “preservando democraticamente a liberdade de escolha dos consumidores, fica preservada também a oferta de pacotes diferenciados, como os de acesso gratuito a redes sociais”.

Porém, durante toda a tramitação da matéria na Câmara, o relator, deputado Alessandro Molon (PT-RJ), defendeu a preservação no texto do conceito de neutralidade, justamente para garantir que a internet não fosse “fatiada”. Segundo Molon, com a neutralidade garantida, os provedores de internet não poderão oferecer pacotes de internet só com acesso a e-mail ou só com acesso a redes sociais, por exemplo. Entretanto, ainda conforme o relator, o texto garante que os provedores possam ofertar pacotes com velocidades diferentes.

O secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, Marivaldo Pereira, reitera a interpretação do relator. “Uma das grandes vantagens da internet é podermos acessar qualquer conteúdo, fontes alternativas de informação – e isso só é possível por conta da neutralidade”, salientou. Para ele, se houver restrição da neutralidade, haverá inibição do acesso a novas fontes de informação, prevalecendo apenas os sites e serviços de grandes corporações, prejudicando a democratização da comunicação.

O ministério é o autor da proposta inicial de marco civil enviada ao Congresso.

Fatiamento da internet.

Na quarta-feira (26), foi a vez da Proteste- Associação dos Consumidores divulgar nota sobre o marco civil, também com o entendimento semelhante ao do relator, de que, com a aprovação da proposta, “as operadoras terão de oferecer a conexão contratada independente do conteúdo acessado pelo internauta e não poderão vender pacotes restritos (preço fechado para acesso apenas a redes sociais ou serviços de e-mail)”.

Para a coordenadora do Coletivo Intervozes, Bia Barbosa, o Sinditelebrasil tenta convencer a população de que tudo vai continuar como está. “Mas, na leitura da sociedade civil, o marco civil é claro nesse sentindo: vender plano de assinatura só com acesso a um aplicativo ou que dê gratuitamente acesso a determinado site ou aplicativo é quebra da neutralidade de rede; isso é fatiar a internet e impedir que o usuário acesse o conjunto da internet”, afirmou. “A internet não pode se resumir ao Facebook, e não se pode criar usuários de internet diferenciados”, complementou.

Brecha.

Na visão do consultor legislativo Cláudio Nazareno, existe espaço, no texto da proposta, para interpretações diversas, inclusive para questionamentos judiciais, sobre a oferta ou não de pacotes com serviços diferenciados pelas empresas de telefonia. Isso porque a proposta prevê que possa haver discriminação do tráfego se essa decorrer de requisitos técnicos indispensáveis à prestação adequada dos serviços e aplicações ou para priorizar serviços de emergência. Para Nazareno, a brecha está justamente na abrangência do que possa ser “requisitos técnicos”. O texto aprovado diz que essas exceções à neutralidade de rede serão regulamentadas pela Presidência da República.

Porém, na opinião do consultor, não necessariamente a oferta de pacotes diferenciados, com acesso somente a determinadas aplicações, é prejudicial ao consumidor, já que hoje muitas pessoas que não tinham acesso à internet têm hoje pelo menos acesso gratuito a redes sociais, por meio de ofertas das operadoras, principalmente no celular pré-pago.

A proposta está sendo analisada agora pelo Senado Federal.

Governo precisa de plano nacional de adaptação às mudanças climáticas, diz Observatório do Clima.
O coordenador-geral do Observatório do Clima (OC – rede de organizações não governamentais e movimentos sociais brasileiros que atuam na agenda de mudanças climáticas no país), André Ferretti, disse ontem (31) à Agência Brasil que o governo federal necessita ter um plano nacional de adaptação para enfrentar as consequências do aquecimento global.

Segundo Ferretti, o novo relatório do Painel Intergovernamental da Organização das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (IPCC), divulgado hoje e que trata dos impactos, adaptação e vulnerabilidade às mudanças climáticas, mostra de forma clara que o mundo ainda não consegue calcular quanto isso vai custar aos países. A estimativa é que os custos oscilem entre US$ 4 bilhões e mais de US$ 100 bilhões nos 40 anos compreendidos entre 2010 e 2050. “Essa variação mostra a grande dificuldade de se calcular, porque são muitos fatores envolvidos”, disse.

Ferretti sublinhou que, quando se fala em impactos e adaptação, é preciso que o país saiba quais são as suas vulnerabilidades, “mapeá-las e traçar planos para reduzi-las”. Ele explicou que como o mundo ainda não traçou esse mapa, fica difícil estimar quanto vai custar para se adaptar às mudanças que estão em curso e àquelas que virão.

Por isso, Ferretti indicou que o Observatório do Clima (OC) considera fundamental que o Brasil tenha um plano nacional de adaptação. A demanda da ONG é antiga e ganha cada vez mais força, destacou. “O relatório [do IPCC] evidencia que é urgente a necessidade de um plano e é estratégico para qualquer país, conhecendo os seus pontos mais vulneráveis, se preparar para essa adaptação”. Segundo Ferretti, é em função da qualidade dessa adaptação que o governo poderá saber se haverá mais prejuízos sociais, econômicos e ambientais em decorrência das mudanças do clima.

Ferretti sugeriu que uma das estratégias mais eficientes e baratas é a adaptação baseada em ecossistemas. Isso significa manter os ecossistemas funcionando em boa qualidade, para que os serviços ambientais essenciais continuem sendo providos. No caso brasileiro, em especial, ele destacou a energia hidrelétrica, da qual o país é dependente e está enfrentando problemas de falta de água nos reservatórios em um período que deveria ser de chuvas abundantes. ”Eventos como esse vão ser cada vez mais frequentes e intensos, segundo as previsões do segundo relatório do IPCC. E a gente sabe que além de sofrer com a falta de água em algumas épocas, a água que é usada para o abastecimento vai gerar também problemas de abastecimento de energia”, acredita.

O coordenador-geral do OC indicou que no plano nacional de adaptação, o governo precisa identificar os principais mananciais que estão sendo usados atualmente pela população, mas também os mananciais que serão usados no futuro próximo, devido à demanda crescente, “e protegê-los, conservá-los, também com isso melhorando a qualidade e a vida útil das nossas represas”. Dessa forma, ele diz que o país consegue ter um sistema de fornecimento de água e de energia mais eficiente.

Ferretti ponderou, entretanto, que, mesmo assim, o país estará vulnerável e não poderá focar os investimentos somente em energia hidrelétrica, mas deve investir também, com mais intensidade, em outras fontes renováveis que não agravem as mudanças climáticas, entre as quais a energia solar e a eólica (dos ventos). Ele lembrou que no ano passado, o governo federal apresentou o seu plano setorial de mitigação e adaptação às mudanças climáticas para o setor de energia. “E a gente vê que esse plano investe, basicamente, 70% dos recursos até 2020 em combustíveis fósseis, o que é uma contradição. Tem que ser justamente o contrário. Aliás, não tinha que ter investimento nenhum nisso. Tinha que ter investimento em [combustíveis] não fósseis”, opinou.

Outra questão que preocupa a ONG é o desmatamento existente no Brasil que, depois de recuar os índices nos últimos anos, voltou a aumentar na Amazônia, em 2013. “É um sério problema”. Ferretti defende que o objetivo é que o Brasil caminhe para o desmatamento zero. “Temos que conservar os ecossistemas, funcionando e garantindo os serviços ambientais essenciais para a população”.

Na avaliação do coordenador do OC, o Brasil precisa ser mais ousado e trilhar, em caráter definitivo, o caminho rumo a uma economia descarbonizada, com investimentos direcionados a tudo que seja limpo de carbono e possa trazer um diferencial para o país, em termos de novas oportunidades, novos empregos e negócios. “É o que o mundo vai precisar nos próximos anos. Se a gente ficar com essa fixação em pré-sal, a gente vai estar desenvolvendo nosso país nos próximos anos para uma energia de que o mundo vai precisar abrir mão”, salientou. “Se o Brasil insistir no petróleo, certamente sofrerá pressão no futuro para não jogar isso na atmosfera”.

No próximo dia 29 de abril, o OC levará suas sugestões sobre o Plano Nacional de Adaptação às Mudanças Climáticas à reunião do grupo executivo da Comissão Interministerial de Mudanças Climáticas. Em outubro, após o lançamento dos relatórios completos do IPCC, a ONG pretende divulgar o sistema de estimativas de emissões de gases de efeito estufa do Brasil, em que analisa as emissões do país no ano anterior. No ano passado, foram calculadas as emissões de cada setor da economia. “Este ano, nós vamos revisar isso e, com os dados dos relatórios do IPCC, nós vamos preparar todo um material para levar ao governo”.

Ferretti também coordena as estratégias de conservação da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

Medida do TCU impede assinatura de contrato de hidrelétrica.
O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou hoje (28) que a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) não assine o contrato de concessão da Usina Hidrelétrica Três Irmãos, que foi licitada nesta sexta-feira, até que o tribunal decida sobre o questionamento feito pela atual operadora da usina, a Companhia Energética de São Paulo (Cesp). A assinatura do contrato está prevista para o dia 6 de agosto.
A Aneel informou que irá acatar integralmente e cumprir a decisão do TCU. A hidrelétrica teve que ser licitada novamente, pois a Cesp não aceitou renovar o contrato conforme as regras estabelecidas pelo governo federal no fim de 2012.  A estatal enviou um questionamento ao TCU pedindo para cancelar o processo do leilão, questionando o fato de o governo não incluir na licitação as eclusas e o Canal Pereira Barreto, que fazem parte do complexo da hidrelétrica.

O relator do assunto no TCU, ministro José Jorge, que assina a medida cautelar, argumenta que a operação em separado da hidrelétrica, sem que seja previamente definido o tratamento a ser dado às eclusas, poderá comprometer a continuidade do sistema energético-hidroviário constituído pelos empreendimentos.

O ministro determinou também que sejam ouvidos em um prazo de 15 dias a ANEEL, o Ministério de Minas e Energia, o Operador Nacional do Sistema Elétrico, além do Ministério dos Transportes, a Agência Nacional de Transportes Águaviários (ANTAQ), a Agência Nacional de Águas (ANA), a Casa Civil, o Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo (DAEE) e a Cesp, para que se pronunciem sobre as questões.

Na manhã de hoje, o consórcio Novo Oriente, formado por Furnas e pela Fip Constantinopla, venceu o leilão da Usina Três Irmãos, promovido pela ANEEL, com uma ofertado de R$ 31,623 milhões pelo custo de gestão dos ativos de geração. A usina está localizada no Rio Tietê, no município de Pereira Barreto (SP), e tem capacidade instalada de 807,50 megawatts.


quarta-feira, 2 de abril de 2014

Top 5 - Verdades contadas pelo PT. INÉDITO!

Rachel Sheherazade analisa o desemprego no Brasil - 27/03/2014

Tribunal Internacional de Justiça proíbe Japão de caçar baleias na Antártida.
A Corte Internacional de Justiça (CIJ) decidiu que o programa baleeiro japonês na Antártida não é para fins científicos e proibiu a concessão de novas licenças de caça às baleias.

A decisão do Tribunal Internacional de Justiça é a favor do argumento da Austrália, de que programa de caça do Japão é realizado para fins comerciais.

O Japão tem usado a Convenção Internacional para a Regulação da Atividade Baleeira [International Convention for the Regulation of Whaling], de 1946, que permite matança para a pesquisa científica, para justificar a matança de baleias na Antártida.

Mas os juízes do tribunal concordaram com a Austrália que a pesquisa japonesa – dois artigos revisados por especialistas, desde 2005, com base nos resultados obtidos a partir de apenas nove baleias mortas – não era proporcional ao número de animais mortos.

“À luz do fato de o [programa de pesquisa] Jarpa II vem acontecendo desde 2005, e envolveu a morte de cerca de 3.600 baleias-minke, a produção científica até o momento parece limitada”, disse o juiz presidente Peter Tomka, da Eslováquia.

“O Japão deve revogar as autorizações existentes, permissão ou licença concedida em relação a Jarpa II e abster-se de conceder quaisquer licenças em conformidade com o programa.”

Japão assinou uma moratória de 1986 sobre caça à baleia, mas continuou a caçar até 850 baleias minke nas águas geladas do Oceano Antártico cada ano.

A decisão do Tribunal Internacional de Justiça é final e não haverá recurso.

O Japão, que se comprometeu a acatar a decisão do tribunal, é livre para continuar a caça à baleia desde que se retire da moratória de 1986 ou do tratado de 1946.

O Japão argumentou que cumpriu a moratória, apesar de sua tradição de caça à baleia ter mais de 2.000 anos, deixando as comunidades costeiras em “angústia”, porque eles não podem mais praticar suas tradições ancestrais.

Do EcoDebate, com informações da International Court of Justice e Agências.

Fonte: EcoDebate
Mudanças climáticas aumentam riscos globais de fome, inundações e conflitos, alerta IPCC.
O mais recente relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) – denominado “Mudanças Climáticas 2014: Impactos, Adaptação e Vulnerabilidade” – afirmou que os efeitos das mudanças climáticas, em sua maior parte, ocorrem pela mal preparação para seus riscos.

O documento alertou que, embora ações possam ser tomadas, a gestão de impactos do fenômeno será difícil em meio a um planeta aquecendo rapidamente.

O IPCC, que foi divulgado nesta segunda-feira (31) em Yokohama, no Japão, detalha os impactos das mudanças climáticas até agora, os riscos futuros e as oportunidades para medidas eficazes de reduzir dos riscos. Conclui que a resposta às mudanças climáticas envolvem fazer escolhas sobre os riscos em um mundo mudando constantemente.

O relatório identifica as pessoas, indústrias e ecossistemas vulneráveis por todo o mundo e descobre que o risco de uma mudança climática vem da vulnerabilidade (falta de preparação) e exposição (pessoas ou bens em perigo) sobreposta aos riscos (acontecimentos ou tendências climáticas).

Parabenizando as conclusões do IPCC, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que o relatório confirma que os efeitos das mudanças climáticas causadas pelo homem já estão generalizadas e consequentes, afetando a agricultura, a saúde humana, os ecossistemas, o abastecimento de água e algumas indústrias.

“Para diminuir esses riscos, a redução substancial das emissões globais de gases de efeito estufa deve ser feita juntamente com estratégias e ações para melhorar a preparação contra os desastres, bem como para reduzir a exposição a eventos causados pelas alterações climáticas inteligentes”, disse Ban, em um comunicado divulgado por seu porta-voz em Nova York.

O secretário-geral da ONU estimulou todos os países a agir com rapidez e ousadia em todos os níveis, para trazer anúncios e ações ambiciosas para a cúpula do clima, no dia 23 de setembro, e fazer todos os esforços necessários para chegar a um acordo climático jurídico global até 2015.

O presidente do IPCC, Rajendra K. Pachauri, considera que os impactos apresentados no relatório e aqueles que estão sendo projetados para o futuro só confirmam que ninguém ficará imune à mudança climática.
Uma parte de uma das mais de 200 ilhas de Palau, uma nação insular no Oceano Pacífico ameaçada pela elevação do nível do mar. Foto: IRIN/Jaspreet Kindra

O encolhimento de geleiras, migração de espécies, diminuição da produtividade das culturas, aumento de doenças transmitidas por vetores e aumento de eventos extremos são alguns dos fatores citados por Pachauri como evidência da necessidade que a comunidade internacional tem de fazer escolhas para melhor adaptação e diminuição dos efeitos negativos.

“O mundo tem que levar a sério este relatório, porque há implicações com a segurança do abastecimento de alimentos, os impactos de eventos extremos na morbidade e mortalidade, impactos graves e irreversíveis sobre espécies e um risco de cruzar vários pontos de ruptura por causa do aumento da temperatura”, disse Pachauri, explicando que esses impactos também afetam a segurança humana, podendo provocar deslocamento da população em massa ou aumento de conflitos.

Um total de 309 pessoas, entre eles coordenadores, autores e editores de revisão de 70 países, foram selecionados para produzir o relatório. Eles pediram a ajuda de 436 autores e de um total de 1.729 especialistas e colaboradores governamentais.

“Vivemos em uma era artificial de mudança climática”, disse Vicente Barros, co-presidente do Grupo de Trabalho II. “Em muitos casos, não estamos preparados para os riscos relacionados com o clima que já enfrentamos. Os investimentos em uma melhor preparação podem ter dividendos, tanto para o presente quanto para o futuro.”

Segundo o relatório, as pessoas que são socialmente, economicamente, culturalmente, politicamente, institucionalmente ou de alguma outra forma marginalizadas são especialmente vulneráveis às alterações climáticas e também para algumas respostas de adaptação e diminuição de risco.

A característica marcante dos impactos observados é que eles estão acontecendo dos trópicos para os pólos, de pequenas ilhas a grandes continentes, e dos países mais ricos aos mais pobres.

“A adaptação pode desempenhar um papel fundamental na redução desses riscos”, afirma Barros. “Ela é muito importante. O mundo enfrenta uma série de riscos de mudanças climáticas já contidos no sistema climático, devido às emissões passadas e infraestrutura existente”.

O IPCC foi estabelecido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e a Organização Meteorológica Mundial (OMM) em 1988 para fornecer ao mundo uma visão científica clara sobre a mudança do clima e seus potenciais impactos ambientais e socioeconômicos. Hoje, possui 195 Estados-membros.

Mudanças Climáticas 2014: Impacto, Adaptação e Vulnerabilidade (sumário).

Fonte: ONU Brasil
Mudanças Climáticas 2014: Impacto, Adaptação e Vulnerabilidade. Os impactos das mudanças climáticas região por região.
O impacto das mudanças climáticas no mundo varia substancialmente por regiões, como se deduz das previsões de um grupo de cientistas das Nações Unidas publicadas em um relatório nesta segunda-feira. O documento [Climate Change 2014: Impacts, Adaptation, and Vulnerability] forma parte da quinta revisão de dados do Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre as Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês), criado em 1988. Matéria da AFP, no UOL Notícias.

O documento identifica os principais desafios de cada região (em matéria de acesso à água, de desastres naturais, de produção de alimentos, etc). Também detalha as opções para enfrentá-los e o nível de risco de um aumento de temperaturas que em 2100 pode chegar a 2ºC ou 4ºC em relação à era pré-industrial, segundo as políticas que forem adotadas frente as mudanças climáticas.

AMÉRICA DO SUL E AMÉRICA CENTRAL

Desafio: escassez de água em áreas semiáridas, cujo abastecimento depende das geleiras;
Risco: muito alto com subidas tanto de 2ºC quanto de 4ºC;
Opções: melhorar a distribuição de água e a exploração da terra;
Desafio: inundações em áreas urbanas devido a grandes chuvas
Risco: muito alto com subidas tanto de 2ºC quanto de 4ºC;
Opções: melhorar a luta contra as inundações urbanas, assim como os sistemas de alerta e prevenção e os alertas meteorológicos;
Desafio: menos produção alimentar e de menor qualidade;
Risco: muito alto com subidas tanto de 2ºC quanto de 4ºC;
Opções: desenvolver cultivos resistentes à seca.

AMÉRICA DO NORTE

Desafio: incêndios em ecossistemas e em áreas residenciais;
Risco: muito alto com elevações tanto de 2ºC quanto de 4ºC;
Opções: melhorar as medidas de prevenção de incêndios;
Desafio: mortalidade provocada por ondas de calor;
Risco: alto com crescimento de 2ºC, muito alto com 4ºC;
Opções: instalar sistemas de ar condicionado, construir centros de acolhida climatizados para as populações mais vulneráveis;
Desafio: danos e prejuízos em infraestruturas e edifícios;
Risco: alto, com subidas de 2ºC, muito alto com 4ºC;
Opções: instalar sistemas de drenagem que permitam levar as águas pluviais ao subsolo.

ÁFRICA

Desafio: escassez de água;
Risco: alto com subifa de 2ºC, muito alto com 4ºC;
Opções: evitar o desperdício de água;
Desafio: escassez de alimentos;
Risco: muito alto com subida tanto de 2ºC quanto de 4ºC;
Opções: desenvolver cultivos resistentes à seca, ajudas para os agricultores;
Desafio: doenças transmitidas por mosquitos e que surgem em zonas úmidas;
Risco: muito alto com subidas tanto de 2ºC quanto de 4ºC;
Opções: sistemas de alerta.

EUROPA

Desafio: inundações de bacias fluviais e de zonas costeiras;
Risco: médio com alta de 2ºC, muito alto com 4ºC;
Opções: reforçar a proteção contra as inundações;
Desafio: escassez de água em regiões secas;
Risco: alto com 2ºC, muito alto com 4ºC;
Opções: reduzir o desperdício de água, incluindo a irrigação;
Desafio: grande calor e aumento da poluição;
Risco: alto com subida de 2ºC, muito alto com 4ºC;
Opções: reduzir as emissões para melhorar a qualidade do ar e adaptar as casas e locais de trabalho.

ÁSIA

Desafio: inundações de casas e infraestruturas terrestres;
Risco: alto com subida de 2ºC, muito alto com 4ºC;
Opções: edifícios mais resistentes e relocalizações seletivas da população;
Desafio: mortalidade devido ao calor;
Risco: muito alto com subidas tanto de 2ºC quanto de 4ºC;
Opções: fortalecer os sistemas de saúde, melhorar o planejamento urbano para reduzir o impacto das ondas de calor;
Desafio: desnutrição causada pelas secas;
Risco: médio com aumento de 2ºC e alto com 4ºC;
Opções: aumentar a vigilância do fornecimento alimentar, melhorar os preparativos contra desastres naturais.

AUSTRALÁSIA

Desafios: danos nos arrecifes de corais e, na Austrália, desaparecimento de certos animais e plantas;
Risco: alto com subida de 2ºC e muito alto com 4ºC;
Opções: reduzir a pressão sobre os ecossistemas provocada pela poluição, o turismo e as espécies invasoras;
Desafio: inundações e perda de infraestruturas nas costas devido ao aumento do nível do mar;
Risco: médio com aumento de 2ºC, muito alto com 4ºC;
Opções: melhor uso de terras para reduzir a exposição às inundações e à erosão costeira.

PEQUENOS ESTADOS INSULARES

Desafio: perda de casas, de terras agrícolas e de infraestruturas devido ao aumento do nível do mar e das tempestades;
Risco: alto com subida de 2ºC e muito alto com 4ºC;
Opções: aumentar as proteções costeiras e melhorar o uso de recursos marítimos e terrestres;
Desafio: perdas de terras em áreas costeiras por uma combinação de níveis elevados do mar e de tempestades;
Risco: muito alto com subidas tanto de 2ºC quanto de 4ºC;
Opções: proibição de construir novos edifícios em áreas de risco.

REGIÕES POLARES

Desafio: riscos para os ecossistemas devido às mudanças no permafrost (terras geladas), precipitações de neve, gelo;
Risco: alto com subida de 2ºC, muito alto com 4ºC;
Opções: reforçar o controle de riscos, caçar espécies diferentes se for possível;
Desafio: Insegurança alimentar;
Risco: muito alto com 2ºC e 4ºC;
Opções: melhorar os sistemas de vigilância, concentrar recursos, afastar os assentamentos humanos;
Desafio: Impacto nas comunidades asiáticas se a mudança climática ocorrer muito rapidamente;
Risco: muito alto com subidas tanto de 2ºC quanto de 4ºC;
Opções: melhorar as comunicações, a educação, encorajar a cogestão de ecossistemas.

OCEANOS

Desafio: declive da pesca em baixas latitudes;
Risco: médio com subida de 2ºC, alto com 4ºC;
Opções: gestão flexível dos recursos, expansão dos aquacultivos;
Desafio: danos à biodiversidade em arrecifes de corais;
Risco: muito alto com subidas tanto de 2ºC quanto de 4ºC;
Opções: reduzir outros impactos de origem humana como a poluição, o turismo e a pesca;
Desafio: danos a ecossistemas costeiros, como os manguezais e as plantas marinhas, devido à erosão;
Risco: alto com subida de 2ºC, muito alto com 4ºC;
Opções: reduzir a erosão provocada pelo desmatamento.

FONTE: Mudanças Climáticas 2014: Impacto, Adaptação e Vulnerabilidade (sumário).



Fonte: EcoDebate

terça-feira, 1 de abril de 2014

Chuvas no Sul e no Sudeste podem voltar ao normal só em 2016.
A falta de chuva diminuiu o volume de água do Sistema Cantareira, que abastece São Paulo. Foto: Sabesp/Divulgação

A origem da crise energética provocada pela estiagem no Sul e no Sudeste no início do ano pode estar do outro lado do mundo. Segundo meteorologistas ouvidos pela Agência Brasil, o país está sendo afetado por um ciclo natural de resfriamento do Oceano Pacífico, que se reflete em alterações climáticas em grande parte do planeta. Para o Brasil, o fenômeno indica a possibilidade de as chuvas no centro-sul do país só voltaram ao normal no verão de 2016.

Chamado de oscilação interdecadal do Pacífico ou oscilação decadal do Pacífico (PDO, na sigla em inglês), o processo caracteriza-se pela sucessão entre fases quentes e frias na área tropical do Oceano Pacífico. Os ciclos duram de 20 a 30 anos e são mais amplos que os fenômenos El Niño e La Niña, que se alternam de dois a sete anos. Em 1999, o oceano entrou numa fase fria, que deve durar até 2025 e se reflete em El Niños brandos e La Niñas mais intensos.

Atualmente, o Pacífico está no auge do ciclo de resfriamento, o que, segundo os especialistas, historicamente provoca quatro anos seguidos de verões com chuvas abaixo do normal na região Centro-Sul do Brasil. “Desde 2012, tem chovido abaixo da média no Sul, no Sudeste e em parte do Centro-Oeste durante o verão. A princípio, o que está sendo desenhado é as chuvas só voltarem à média em 2016”, diz o meteorologista Alexandre Nascimento, especialista em análises climáticas da Climatempo.

Saiba Mais
A partir do segundo semestre, os modelos climáticos apontam a chegada de um novo El Niño, com chuvas no Sul e seca no Nordeste. No entanto, por causa do resfriamento do Oceano Pacífico, o El Niño deverá ser mais fraco que o normal e insuficiente para recompor os reservatórios. “O próximo verão deverá ter mais chuva que o anterior, mas as chuvas tendem a continuar irregulares no Sul e no Sudeste”, adverte Nascimento.

O El Niño é o aquecimento do Oceano Pacífico na região equatorial. Pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Mary Kayano estudou a relação entre esse fenômeno e a oscilação decadal do Pacífico e constatou um padrão. “Em fases frias da PDO, os El Niños são mais brandos. Tanto que o último El Niño forte ocorreu em 1997, quando o Oceano Pacífico estava numa fase quente”, diz. Ela, no entanto, evita fazer prognósticos sobre o próximo verão. Segundo a pesquisadora, o Inpe emite previsões somente para os próximos três meses.

O comportamento histórico, no entanto, indica que o resfriamento do Pacífico está afetando o Brasil. Segundo o diretor-geral da MetSul Meteorologia, Eugenio Hackbart, o Brasil enfrentou uma sequência de verões com estiagem entre o fim dos anos 1950 e o início da década de 1960, quando o Pacífico atravessava um pico de temperaturas baixas. “Os padrões de circulação atmosférica hoje estão semelhantes aos daquela época”, compara.

Além das chuvas irregulares durante o verão, o resfriamento do Oceano Pacífico traz efeitos distintos conforme as regiões do país, com invernos mais rigorosos no Sul e no Sudeste. “Ano passado, chegou a nevar perto de Florianópolis”, lembra Hackbart. O fenômeno provoca ainda cheias acima da média no Amazonas e no Pará. No entanto, esclarece o diretor da MetSul, não está relacionado à cheia do Rio Madeira, decorrente de chuvas atípicas na Bolívia.

Apesar das chuvas acima da média na maior parte do país em março, Nascimento, da Climatempo, considera que os reservatórios não devem voltar a subir com rapidez por causa do tipo de chuva que tem atingido a região e da chegada da estação seca ao Centro-Sul nos próximos meses. “A verdade é que os reservatórios só enchem com chuvas generalizadas, que duram vários dias e são constantes. Até agora, temos registrado pancadas, que podem ser fortes, mas são eventos isolados”, explica.

Mesmo com a possibilidade de mais um verão com chuvas abaixo da média, os meteorologistas recomendam cuidado com os prognósticos. “A maioria dos estudos sobre os ciclos no Oceano Pacífico é recente. A gente precisa de séries históricas mais longas para compreender a extensão do fenômeno”, diz a pesquisadora do Inpe. Hackbart levanta dúvidas sobre a intensidade do próximo El Niño. “Alguns modelos e especialistas dizem que o próximo El Niño tem chances de ser forte. Nesse caso, as chuvas podem ser mais intensas e ajudar os reservatórios”, pondera.

Aumento de casos de sarampo desperta alerta para os sintomas e a prevenção da doença.
Laboratório de Bioquímica Farmacêutica. Foto: Marcos Santos/USP Imagens

O sarampo é causado por um vírus chamado morbillivírus. É uma doença infecciosa, viral e muito comum na infância. Sua transmissão se dá por secreções das vias respiratórias, como gotículas eliminadas pelo espirro ou pela tosse de pessoas infectadas. O período de incubação, ou seja, o tempo entre o contágio e o aparecimento dos sintomas, é de cerca de doze dias e a transmissão pode ocorrer antes do aparecimento dos sintomas e estender-se até o quarto dia depois do aparecimentos das placas avermelhadas na pele. O Brasil registrou, em todo o ano de 2013, 201 casos de sarampo. Esse número foi cinco vezes maior do que o surto detectado em 2011 (42 casos) e 100 vezes maior do que os números de 2012 (2 casos). Em 2014, até a sexta semana epidemiológica, (encerrada em 8/2/2014), temos 74 casos notificados, todos eles localizados no Ceará (70) e Pernambuco (4). Metade desses casos foi detectado em menores de 1 ano de vida e a maioria entre pessoas sem esquema vacinal completo. Em entrevista, o pediatra e especialista em doenças infecciosas pediátricas do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) Leonardo Menezes esclarece dúvidas sobre sintomas, tratamento e prevenção da doença.

Quais os principais sintomas do sarampo e como é feito o diagnóstico?

Leonardo Menezes: Após o período de incubação, o paciente pode desenvolver febre, tosse, conjuntivite não purulenta (olho vermelho), fotofobia (incapacidade de olhar para luz) e coriza (nariz escorrendo). Depois de dois a três dias, nota-se pequenas lesões na mucosa bucal, também conhecida como manchas de Koplik. Essas manchas ficam presentes entre 12 a 72 horas. Outra característica da doença é a manifestação do exantema (rash ou lesões vermelhas) no corpo, começando pela região frontal (nuca ou porção posterior da cabeça) espalhando-se pelos braços e pernas. Após três dias, as manchas se tornam acastanhadas com descamação fina da pele. A febre, habitualmente, é alta (chegando a 40ºC) e tem pico entre o segundo e o terceiro dia do aparecimento do exantema. O diagnóstico da doença é, basicamente, clínico, embora exista a possibilidade de confirmação sorológica.

Quais as complicações da doença e o tratamento adequado?

Menezes: O sarampo pode ter complicações como: diarreia, vômitos, hemorragias, alterações neurológicas (convulsões e encefalites), pneumonia bacteriana secundária e hepatite.

Não há tratamento específico disponível. Existem alguns estudos com a utilização de Ribavirina em indivíduos imunocomprometidos. Porém, essa medicação não é licenciada para o tratamento do sarampo.  A vitamina A deve ser oferecida em países subdesenvolvidos e em pacientes desnutridos, uma vez, que a suplementação dessa vitamina reduz complicações como pneumonia e diarreia nas populações que possuem deficiência desses nutrientes.

É possível ter sarampo por mais de uma vez?

Menezes: O sarampo produz uma imunidade duradoura em indivíduos saudáveis. O esquema vacinal completo, bem como, uma história pregressa da doença confere proteção ao paciente, não permitindo novas manifestações clínicas quando em contato com o vírus numa segunda oportunidade.

Como se previne o sarampo?

Menezes: O sarampo é uma doença de prevenção através da vacinação, conforme previsto no Programa Nacional de Imunizações. A vacina do sarampo é recomendada aos 12 meses de vida, por meio da tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e aos 15 meses de vida (reforço), com a tetra viral que protege a criança do sarampo, caxumba, rubéola e varicela (catapora). Em situações de surtos e epidemias, podemos utilizar vacinação de bloqueio e imunização passiva, com aplicação de imunoglobulina standard ou imunoglobulina venosa hiperimune, sempre após o contato com casos suspeitos ou confirmados da doença ou conforme determinação das autoridades de saúde, por meio de campanhas extraordinárias de vacinação.

O que se deve fazer frente a um caso suspeito de sarampo?

Menezes: Todos os relatos de febre e exantema devem ser avaliados por um profissional de saúde capacitado em fazer o diagnóstico clínico.  Em caso de detecção suspeita, o mesmo deverá ser notificado em até 24 horas à Secretaria de Estado de Saúde. O médico responsável deverá solicitar a coleta de material (sangue, secreção nasofaríngea e urina) para a realização de diagnóstico laboratorial. Medidas de controle deverão der adotadas (vacinação de bloqueio em susceptíveis e imunoglobulina, especialmente, em grávidas e pacientes imunossuprimidos). Orientar o isolamento social e reforçar a atenção para que o paciente com sinais e sintomas da doença fique em casa até o desaparecimento do exantema.

Existem recomendações especiais para viajantes à áreas de surto ou epidemia e aos participantes de grandes eventos de massa?

Menezes: Os viajantes e participantes de grandes eventos devem checar seus cartões de vacina. As vacinas desatualizadas ou faltantes devem ser dadas dentro de um prazo de 15 dias antes da viagem ou evento. As crianças de 6 meses a 1 ano, que viajarão para o Nordeste do Brasil, devem receber vacina tríplice viral. É importante ressaltar que essa dose não interfere nas doses realizadas dentro do calendário oficial. Crianças menores de 6 meses devem evitar viajar para esses destinos.

A Amazônia como esperança e solução, artigo de Washington Novaes.
As maiores inundações das últimas décadas em Rondônia, principalmente em Porto Velho, por causa do Rio Madeira e das hidrelétricas nele construídas, segundo muitos especialistas; as enchentes no Acre e o bloqueio de rodovias abertas há décadas; a polêmica sobre deficiências no estudo de impacto ambiental no Rio Madeira – tudo isso trouxe a Amazônia de volta ao centro de discussões, em que se envolveu até a presidente da República.

Na questão do Rio Madeira, segundo técnicos, o problema da contribuição das hidrelétricas para as enchentes calamitosas se deve a que seu estudo de impacto ambiental (EIA) não levou em consideração os aumentos dos fluxos de água vertida pelos reservatórios, vindos para o Brasil em decorrência do derretimento de gelos nos Andes – fenômeno observado há décadas pelos cientistas da área do clima. Mas a presidente da República criticou a visão dos técnicos.

O debate logo se ampliou para toda a questão de hidrelétricas na Amazônia, já que estão planejadas também usinas para a bacia do Tapajós e para a área do Rio Teles Pires (igualmente criticadas por técnicos e ambientalistas). Em meio a tudo, voltou à cena parecer do Ibama, de 2007, que sugerira se dobrasse a área alagável prevista nos projetos do Madeira e sugerira um EIA-Rima mais abrangente, incluindo a Bolívia. Também na Amazônia, a Justiça de Rondônia mandou agora rever os estudos do EIA-Rima de outra usina, Belo Monte. A Fundação Nacional do Índio lembrou (Estado, 19/3) que, das 31 condicionantes estabelecidas para essa usina, 22 estão atrasadas ou não saíram do papel – principalmente as que são de responsabilidade do próprio governo.

Polêmicas sobre hidrelétricas na Amazônia são antigas. Basta lembrar a que cercou a construção da Usina de Tucuruí, principalmente para fornecer energia mais barata que a do mercado a empresas fabricantes de alumínio, que vieram até de outros países. Ou a própria polêmica sobre a Usina de Belo Monte, em que a construtora se recusa agora a assinar termos de compromisso para garantir a execução dos projetos de mitigação de impactos para grupos indígenas.

Outra discussão é a dos impactos decorrentes dos fluxos de migrantes gerados por projetos como esses – e outros. Agora mesmo, em Porto Velho, um dos problemas está exatamente na ausência de infraestruturas para receber esses fluxos, centenas de milhares de pessoas (que já se fixaram em Porto Velho). Em Tucuruí também foi assim, como já está sendo em Altamira, por causa de Belo Monte. E já ocorrera em projetos de outras áreas, como o Jari. Ao todo, há 366 projetos hidrelétricos em oito países amazônicos, já planejados (soldepandobolivia, 19/3), em implantação ou em operação.

Usinas não são a única questão na Amazônia. Quem se preocupa em quantificar os efeitos das migrações de centenas de milhares de pessoas para áreas beneficiadas por projetos de incentivos fiscais (isenção de impostos) para indústrias? Que ocorreu em Manaus, por exemplo, onde, por causa da poluição, grande parte da população que migrou tem de consumir apenas água subterrânea, embora a cidade seja cercada por rios do porte do Solimões e do Negro. E em Belém, onde apenas 8% da população dispõe de coleta de esgotos e estes são despejados nos rios.

Mas nada demove os planejadores oficiais. Não anunciou a própria presidente o lançamento de edital para a implantação da Hidrovia Tocantins-Araguaia, que começará pelo derrocamento (remoção de pedras submersas) do Pedral do Lourenço, com a construção de um canal de calado mínimo de 3 metros e largura de 145 a 160 metros no Tocantins (Agência Brasil, 21/3)? Projeto semelhante tem sido defendido para um canal no Rio Araguaia, mais extenso que o Canal do Panamá, para assegurar um leito navegável, já que o rio recebe resíduos de erosões que mudam o leito navegável de lugar de ano para ano (milhões de metros cúbicos anuais, já medidos por hidrólogos da Universidade Federal de Goiás). Nas duas obras, quem pagará? Que fará para remover os resíduos conduzidos pelo rio e os o que forem retirados na implantação? E não é para finalidades como as da hidrovia que se está acabando de implantar a Ferrovia Norte-Sul?

O Brasil precisa de uma estratégia para a Amazônia, que deixe de considerar a floresta ou os povos que a habitam como “obstáculos” ao progresso. A floresta é um dos hábitats da biodiversidade brasileira (pelo menos 15% da planetária), fonte de novos medicamentos, novos alimentos, novos materiais que substituirão os que se esgotarem. E vários estudos mostram que áreas indígenas são o melhor caminho para a conservação dessa biodiversidade, mais eficiente até que parques e áreas de proteção legalizados. A Floresta Amazônica é também essencial para a parte brasileira (12%) da água superficial no planeta – alto privilégio. E para o clima. O mundo continua a perder áreas florestais -15,5 milhões de hectares por ano, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, em 21/3). Mesmo aqui, embora tenha diminuído bastante o desmatamento, há lugares (Mato Grosso, principalmente) e períodos em que ele recrudesce.

Também não se pode postergar mais a preparação de projetos competentes para a área do clima. O Ministério do Meio Ambiente tem dito que não consegue aplicar R$ 90 milhões com essa destinação, que poderiam ir para convênios com Estados e municípios, que não os fazem. Os graves problemas do clima que estamos enfrentando podem repetir-se.

Não podemos fazer da Amazônia um problema – ela deve ser uma solução. Nem podemos perder a esperança. Há uns 20 anos o autor destas linhas perguntou a uma jovem nordestina, que carregava um recém-nascido no colo e migrara para a última fronteira da penetração em Rondônia, se ela e o marido tinham esperança de enriquecer ali. E ela, serena, respondeu: “Nós já semo rico de esperança”.

*Washington Novaes é jornalista. E-mail: wlrnovaes@uol.com.br.